Uma catarse emotiva que o atormentava há quarenta anos, influenciado por Jung, Freud, Kardec e tantas outras leituras, assim descreve Edgard Navarro o seu filme O Homem Que Não Dormia. É isso que vemos em tela. Uma catarse, como tal, não tem começo, meio, nem fim, é uma propulsão de sensações, emoções que vibram em tela em partes. Está tudo lá, e tem uma beleza poética na essência, só precisava de um roteiro melhor trabalhado para ser acessível ao grande público.
O CineFuturo terminou ontem com um saldo positivo. Apesar de um público menor no auditório do TCA, como ressaltou José Araripe, as discussões foram proveitosas, participativas e teve o plus da internet, já que o Irdeb exibiu ao vivo as palestras e as pessoas podiam participar com perguntas pelo Twitter.
Depois de quatro dias discutindo cinema e política, o CineFuturo apresentou a mesa Cinema Político mediado por Ivana Bentes com a presença do cubano Miguel Coyula e Peter Joseph. A constante do tema durante todo o seminário é bastante compreensível, pois, como os três foram unânimes em falar, cinema é sempre política. Mesmo os blockbusters americanos estão expondo um estilo de vida, uma ideologia que é passada pela força dessa linguagem audiovisual. Isso é essencial para entendermos que cinema é esse que estamos fazendo e querendo. O problema é quando a discussão esquece o cinema e fica apenas na discussão política.
Se ontem foi o dia do Cinema Novo, hoje o CineFuturo respirou ideais da Nouvelle Vague Francesa. Isso porque na mesa redonda da manhã e no diálogo da tarde, contamos com a presença de Antoine de Baecque, roteirista do filme Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague. Uma aula de cinema.
Em determinado momento do filme, o Caveira Vermelha diz que a arrogância americana não tem limites. Esse é o resumo da saga de um herói que representa o American Dream e toda a essência dessa nação, não por acaso tem isso gravado em seu nome: Capitão América. Em um mundo que vivia a guerra fria, ele foi bem vindo, hoje com tantas campanhas anti-imperialismo norte-americano, o filme teve que virar O Primeiro Vingador em alguns países. O fato é que para assistir ao filme dirigido por Joe Johnston é preciso compreender toda ideologia por trás do herói e analisar pelo que se propõe. E nesse aspecto, é sim, um bom filme.
A política continuou ditando o ritmo no terceiro dia do CineFuturo 2011. A função social do cinema foi o foco da mesa da manhã e do diálogo à tarde, construindo um complemento interessante. A idelogia do Cinema Novo e de Gláuber Rocha estava viva no espaço do TCA, em busca de um cinema que faça o público pensar, não sendo apenas entretenimento voltado para o mercado. “Cinema tem que fazer pensar”, afirmou Gilberto Felisberto Vasconcelos.
Música e imagem dão o tom dessa bela obra de Bernardo Bertolucci. Assédio esconde no título em português a sutileza da relação entre uma imigrante africana fugida do regime ditatorial de seu país e um músico inglês, herdeiro de uma bela mansão onde passa os dias tocando o seu piano.
"Numa sociedade decadente, a Arte, se for verdadeira, deve também refletir a decadência. E a menos que queira atraiçoar a sua função social, a Arte deve mostrar o mundo como mutável e ajudar a mudá-lo." Ernst Fischer
Com esta frase, Peter Joseph começa o seu filme Zeitgeist Moving Forward - O futuro é agora. E este foi mais ou menos o tema do segundo dia do CineFuturo 2011, já que o diretor participou de um diálgo com o público mediado por Messias Bandeira e a exibição do filme de quase três horas de duração encerrou a noite.
Há dois filmes dentro de Augusto Boal e o Teatro do Oprimido, e os dois dialogam perfeitamente bem. A conversa com o diretor Zelito Viana só confirmou essa sensação após a projeção. Segundo o diretor, a idéia era fazer um filme documental mostrando o processo de criação do Teatro do Oprimido, algo mais ilustrativo, o Augusto Boal trabalhando, as companhias de teatro encenando, etc. Mas, quis o destino que o autor falecesse e Viana ficou com aquelas imagens, sem saber o melhor momento para lançar e como lançar aquele documentário. A solução foi resgatar essa figura especial da cultura brasileira, buscando novos depoimentos, histórias e até mesmo, a famosa música de Chico Buarque em sua homenagem: Meu Caro Amigo.
Marcos Paulo estreou como diretor cinematográfico contando o maior assalto da história do nosso país. O Assalto ao Banco Central impressionou a todos na época e agora pode ser conferido nas telas do cinema. Quer ganhar um par de ingressos para o filme? Se for de Salvador ainda leva um mini kit de ferramentas**.
Cinema não é jogo. Essa é apenas uma das frases que fica do premiado filme cubano Memórias do Desenvolvimento. E que representa bem o clima do primeiro dia do CineFuturo em Salvador. Uma obra complexa com vários estilos, onde a montagem e foto colagem chamam a atenção de imediato. Como disse o próprio diretor Miguel Coyula é um filme visual. A revolução cubana, o imperialismo norte-americano, as mulheres da vida de um homem, a guerra do Vietnã, o ataque às torres gêmeas, são assuntos que vão saltando na tela de forma aparentemente desconecta, mas que nos prendem em vários aspectos, seja emocional, político, intelectual ou ideológico.
Depois de encantar o mundo com cultura chinesa, Bernardo Bertolucci resolveu contar a história de Buda em um filme controverso. Há quem ame e há quem odeie, ainda mais com Keanu Reeves no papel de Siddhartha. Mas, como a própria filosofia do budismo diz, não devemos pensar em extremos: "se apertar a corda ela parte, se afrouxar demais ela não tocará".
Gero Camilo dispensa apresentações, ator cearense de vasta carreira no teatro, cinema e televisão, tem um carisma e talento indiscutível. Em Assalto ao Banco Central ele faz Tatu, o responsável por cavar o buraco que leva o grupo até o cofre do banco. Ele também veio a Salvador divulgar o filme e pudemos conversar um pouco com esse grande ator. Confiram.
Ele começou no cinema quase por acaso. Engraxava sapatos na Central do Brasil quando Walter Salles se aproximou e perguntou se ele queria participar de um filme. Desde então, já se passaram quatorze anos e Vinícius de Oliveira se tornou um ator de teatro, cinema, televisão e internet. E ainda planeja passar para o outro lado da tela, dirigindo suas próprias histórias. Divulgando o filme Assalto ao Banco Central onde interpreta Devanildo, tivemos um bate-papo interessante que vocês conferem agora.
Promoção boa é daquelas que nunca acaba, né? Cinépolis Salvador e CinePipocaCult podem te levar novamente ao cinema. E dessa vez, vai contar a criatividade e um pouco de pesquisa. Vejam as regras abaixo.
A Cinépolis é a quarta maior operadora de cinemas o mundo e a maior da América Latina com mais de 2.200 salas em 8 países. Em Salvador, ela está localizada no Shopping Salvador Norte, perto do Aeroporto. Conheça e tenha bons filmes.
Regras:
- Vá ao site do Cinépolis e veja os filmes que estão em exibição em Salvador na semana de 22 a 28/07.
- Procure as críticas desses filmes aqui no CinePipocaCult.
- Escolha a que você mais gostou.
- Comente aqui nesse post algo concordando ou discordando da crítica.
- As cinco melhores respostas levam um par de ingressos.*
Resultado:
- Anthony L. Filardi
- Ana Cristina C. Miranda
- José do Sacramento Oliveira Junior
- Cláudia Campos
- Cristiana Lopes
* Os ingressos são válidos de segunda a quinta, em qualquer filme que esteja em exibição no Cinépolis Salvador, exceto nas salas 3D. Com validade até 31/12/2011.
Final de semana chegando e já começa a expectativa por aqui do seminário de cinema CineFuturo que começa nessa segunda-feira. Como já falei, estaremos no evento, buscando cobrir a maior parte das atrações possíveis. A Mostra Bertolucci até já comecei a revisitar aqui, dando uma idéia de alguns clássicos que estarão sendo exibidos no Seminário. Foi a forma que encontrei de falar das atrações, já que ficará difícil conferir todas ao mesmo tempo. Mas, pretendo ver alguns no cinema, principalmente aqueles que são mais difíceis de encontrar em DVD. No evento, a prioridade será para as atividades ocorridas no TCA, onde estarão as mesas redondas, discussões, mostras competitivas de curtas e longametragens inéditos.
Em 2005, um assalto ao Banco Central de Fortaleza chamou a atenção do país. Não apenas pela soma vultosa de R$ 164,7 milhões que os bandidos levaram, mas principalmente pela engenharia do golpe. Coisa de Cinema, sem dúvidas. Não acharia estranho se os mentores do crime tivessem se inspirado no filme Trapaceiros que Woody Allen lançou cinco anos antes. Pois, seis anos depois, a história de Fortaleza ganha as telas do cinema pelas mãos de Marcos Paulo em sua estreia cinematográfica. Nem tão empolgante quanto o roubo em si, o filme tem altos e baixos.
Em determinado momento, o protagonista de O Conformista diz "Quero construir minha vida na normalidade". Mas, como fazer isso vivendo na Itália na época áurea do Fascismo?
Marcello Clerici é um homem conformista. Ele se conforma com a situação em que vive, dança conforme a música, como dizem. Se a Itália é Fascista, ele também é, e aceita uma missão insólita ao ir em lua de mel a Paris: matar um antigo professor, agora um dissidente político. E não é apenas na vida política que ele se conforma. Sua vida pessoal também não é das mais interessantes, como ele demonstra ao se confessar antes de casar com uma menina que ele considera tola. Mas, ele vai levando. Sem reclamar, sem sonhar, nem perceber as escolhas.
Poucos conseguem tratar temas polêmicos com tanta sensibilidade quanto Bernardo Bertolucci. E em Os Sonhadores, o diretor italiano consegue conduzir muito bem incesto, insinuações homossexuais, ménage a trois, dificuldades sentimentais e um certo jogo infantil. Tudo isso tendo como pano de fundo as revoltas de 68 na França, principalmente, claro, o Maio de 68 em um final forte. Além de permear tudo isso com uma paixão cinematográfica irresistível.
O Homem Que Não Dormia, novo filme do diretor baiano Edgard Navarro (do premiado Eu Me Lembro), terá sua avant première no Cine Futuro na próxima semana aqui em Salvador. Na época do final das filmagens, tive a oportunidade de entrevistar o diretor juntamente com o ator Bertrand Duarte para a revista TudoBem. Resgato aqui aquele bate-papo na íntegra para sentirem o clima do filme.
Quem viu o filme Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte II e não leu o livro pode ter ficado com várias dúvidas devido às omissões que acontecem desde o quinto filme. Pelo menos, muitos já me perguntaram alguns detalhes. Por isso, resolvi fazer um texto explicativo para aqueles que não querem encarar as setecentas páginas escritas por J.K. Rowling. Apesar de eu sempre achar melhor tal leitura. Então, já sabe: SPOILER MODE ON.
Um épico, um clássico que ganhou oito Oscars, incluindo melhor filme e diretor, O Último Imperador é um marco na carreira de Bernardo Bertolucci. Uma aula de história, com uma boa dose de emoção e sem didatismo, a partir de um ótimo roteiro e sequências primorosas, coroadas por um visual de tirar o fôlego.
É o assunto do dia, da semana e talvez até da década. Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 2 estreou na madrugada de ontem para hoje para o público, com vários fãs ansiosos em suas fantasias de bruxos para conferir em primeira mão o capítulo final da saga. Passei pelo Salvador Shopping, onde tinha até um Voldemort com uma espécie de pasta d´água e uma cobra de pano no pescoço. Segundo um dos espectadores, a fila começou a se formar por volta de 17h. De certa forma, respirei Harry Potter nesses últimos dias, além da retrospectiva que fiz aqui no CinePipocaCult, vocês podem conferir um especial em cinco partes que escrevi para o site Salada Cultural. E o programa piloto do Salada Cast, sobre o tema, que também participo. Vejam e comentem.
Na crítica da primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte, disse que três tipos de público vão aos cinemas conferir a grande estreia. Os fãs que devoraram todos os livros. Os fãs que não tocaram nos livros, mas adoram os filmes. E os fãs de filmes de ação e magia. Se o filme de Dezembro era um presente para o primeiro público, este se torna satisfatório para todos os três, apesar de não ser perfeito para nenhum deles.
Lançado diretamente no DVD aqui no Brasil, o filme de estreia de David Michôd na direção ficou mais conhecido pela indicação ao Oscar e Globo de Ouro da atriz Jacki Weaver. A atriz, que faz matriarca de uma família incomum, aparece pouco em cena, mas tem uma composição assustadora. Já a construção em si do filme australiano tem prós e contras, sendo um filme interessante que cresce muito no ato final.
"A alma fica em uma pequena glândula localizada no meio do cérebro". René Descartes - As paixões da alma, 1649.
Pegando carona no pensamento de Descartes, Sophie Barthes criou uma comédia surreal em um mundo imaginário onde é possível arquivar, vender e alugar almas alheias. Assim como em Quero ser John Malkovich, temos aqui Paul Giamatti interpretando a si mesmo em uma aventura insólita pelos mistérios da mente humana. As semelhanças terminam por aí, mas nem por isso deixa de ser também uma história interessante.
Entre os dias 25 a 30 de julho, Salvador irá respirar cinema através do CineFuturo. O seminário internacional, que ganhou nome fantasia em sua sétima edição trará mostras nacionais e internacionais, mostra competitiva de curtametragens, palestras e debates, além de cursos e uma mostra especial do diretor italiano Bernardo Bertolucci. "O CineFuturo é um festival para quem pensa, faz e curte a sétima arte, levando seus participantes a amadurecer ideias sobre os rumos da produção cinematográfica nesta nova era do mundo digital.", afirma o idealizador Walter Lima. Ainda segundo Walter, o evento atinge também o público em geral, que pode escolher ir apenas em algum filme do seu interesse, não precisando participar de todo o evento.
Chegamos à semana de lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 2. A expectativa dos fãs só cresce. Nos últimos domingos revisitamos aqui os cinco primeiros filmes da série. O sexto filme, O Enigma do Príncipe, que já possui crítica aqui, conseguiu ser uma ótima obra cinematográfica, com cenas incríveis, um cuidado extremo com os enquadramentos, porém, assim como o quinto, sofre muito na adaptação. Há coisas que ficam simplesmente sem explicação. E ainda comete um erro grave na postura de Harry Potter na cena final. Já o sétimo filme, a primeira parte de As Relíquias da Morte que também já tem crítica aqui, consegue traduzir bem o clima do livro. É bastante fiel, um presente para os fãs após tantas brigas com o diretor. Isso fez a expectativa para a última parte crescer ainda mais, principalmente com os trailers divulgados.
Bruno Mazzeo entrou na maior cilada no Youtube, gerando uma comédia engraçada. E você? Já passou por alguma situação vexatória? Participe e ganhe ingressos para este filme.
O ator baiano Luís Miranda esteve em Salvador essa semana para lançar o filme Cilada.com, onde faz uma cena engraçadíssima. Natural de Santo Antonio de Jesus, Miranda ficou conhecido nacionalmente com a peça 7 Contos e com personagens em séries como Sob Nova Direção e A Grande Família. No cinema, sua carreira começou em Bicho de Sete Cabeças, tendo feito filmes como Carandiru, Meu nome não é Johnny, Jean Charles e Quincas Berro D´Água. Recentemente, esteve também na comédia Muita Calma Nessa Hora, escrito por Bruno Mazzeo que volta assinar um roteiro em Cilada.com, só que dessa vez também como protagonista. Na pré-estreia, Luís Miranda nos concedeu essa entrevista, confira.
Essa semana os fãs de Harry Potter começam a contagem regressiva para o dia 15/06. Ontem, o filme teve sua avant première em Londres, com presença do elenco. Fãs acamparam na frente do cinema para poder chegar mais perto de seus ídolos. E o mundo inteiro pode acompanhar ao vivo através da internet, no canal oficial da série. Impressionante a quantidade de pessoas presentes e a histeria com a chegada de cada um dos ídolos. A mais ovacionada foi mesmo J.K. Rowling, tanto ao vivo quanto no twitter com a hashtag #harrypotterlive. Os vídeos ainda estão disponíveis.Veja fotos.
Uma terna comédia familiar, estrelada por Jim Carrey, cujo relacionamento morno com a família vai pegar fogo depois que ele herdar seis pinguins adoráveis e muito travessos. Quer conferir esse filme? Veja regras abaixo.
Quem nunca se viu em uma grande cilada? Com essa premissa, Bruno Mazzeo criou um bom programa de humor no canal fechado Multishow, que depois virou um quadro no Fantástico. Situações difíceis analisadas através de esquetes bem humoradas. É mesmo um bom programa, o problema é transformar isso em um filme justificável. Acabou se tornando uma obra bonitinha, mas ordinária, e divertida, sim. Você vai dar risada, mas isso não é tudo em uma obra cinematográfica.
Micmacs - Um plano complicado é um típico filme de Jean-Pierre Jeunet. Primeiro dirigido pelo diretor francês desde Eterno Amor (2004), traz uma história divertida, que mistura realidade com fantasia em um ritmo ágil e com personagens interessantíssimos.
Após falar de A Princesa Mononoke e Ponyo aqui, tinha que trazer mais uma bela obra de Hayao Miyazaki. Ainda chegará o momento de resgatar o seu filme mais conhecido, A Viagem de Chihiro, que terei que rever antes de comentar, então, por enquanto, vamos falar de O Castelo Animado. A animação de 2004 segue a mesma linha de Mononoke e Chihiro, uma história profunda, cheia de mensagens e significados, através de uma animação simples, sem nunca ser simplista.
Aproveitando o lançamento do filme Assalto ao Banco Central, vamos lembrar de outro grande assalto no país que foi para as telas de cinema. A cena não é bonita, agradável de ver ou favoravelmente emotiva. É uma cena-denúncia, que mostra o preconceito racial aliado às desigualdades sociais existentes no país. Quem não assistiu ao filme, atenção que o texto contém spoilers, não apenas desta cena, mas da trama em geral.
Com Harry Potter e a Ordem da Fênix, a série ganhou seu diretor definitivo. David Yates chegou para ficar e brigar com os fãs dos livros. Só conseguiu se redimir na primeira parte do sétimo filme, quando conseguiu trazer um história bem fiel às páginas de J.K. Rowling. Este quinto filme, no entanto, foi o mais problemático de todos. Tudo bem que transpor 702 páginas para 138 minutos é tarefa árdua, mas Yates e o roteirista Michael Goldenberg pareciam não ter noção mesmo do que vinha pela frente ao tirar detalhes importante para a continuação da série.
Ao assistir o filme Potiche: Esposa Troféu parece que voltamos no tempo. Em parte, literalmente, já que a história se passa em 1977. Mas, tudo parece lembrar o passado, a estética, o tema, a linguagem. Não que isso o torne ruim, mas é curioso ver uma obra tão deslocada de sua época.
Catherine Deneuve é Suzanne Pujol, a esposa troféu de um presidente de uma fábrica de guarda-chuvas totalmente autoritário. Robert Pujol é tão ditador que chega a ser comparado pelos funcionários a Hitler. Suzanne parece alheia a tudo, com suas corridas matinais e o cuidado com a casa, até que uma greve muda a rotina da família e ela tem que assumir a presidência da fábrica. A mudança mostra que Suzanne tem muito mais a oferecer ao mundo do que ser uma espécie de bibelô particular.
François Ozon constrói uma comédia farsesca deliciosa que mistura screwball comedy, melodrama e crítica política sempre com um tom irônico. Principalmente no primeiro ato, onde a vida de Suzanne é apresentada como uma espécie de conto de fadas. Em sua corrida matinal ela encontra com os bichinhos na floresta, destaque para as caras e bocas de Catherine Deneuve a cada bichinho que aparece, e quando chega em sua casa colorida, é possível ouvir o canto dos pássaros, bem ao estilo de Cinderela. O cenário é de uma casa de bonecas, as paredes rosas, detalhes floridos, bichinhos de pelúcia em cima da cama. Tudo meigo, fofo. A reconstituição de época também é destaque da direção de arte, com o cuidado nos objetos diversos, os carros e o figurino.
Transformar essa mulher bibelô na líder que Suzanne será pode parecer falso. Mas, os detalhes demonstram que ela sempre esteve atenta a tudo e também está cansada de ser tratada como um objeto. As conversas iniciais com o marido quando ela pergunta onde é o seu lugar, já que o marido não a deixa fazer nada. Ou quando está diante dos grevistas e diz que entende perfeitamente, porque é casada a mais de 30 anos com Pujol. E a cena mais simbólica é quando ela e a secretária tentam entender o grito dos manifestantes e, quando compreendem, se empolgam, gritando com eles: "Pujol estou farta".
Potiche: Esposa Troféu, no entanto, tem alguns exageros que cansam, como os flash backs de mau gosto, que podem ser interpretados como mais uma ironia, mas ainda assim é estranho de ver. A construção caricata do personagem Pujol e de sua filha Joëlle também parecem destoar da boa fórmula do filme. O personagem de Gérard Depardieu, no entanto, é um comunista caricato que funciona. É interessante ver a brincadeira com os valores da época e a forma como ele vai sendo desconstruido à medida em que Suzanne vai ganhando forçar, se tornando um símbolo fundamental da força da mulher e de sua luta igualitária.
Aliás, a personagem de Catherine Deneuve é rica em vários aspectos, com uma construção dramática muito curiosa de ser acompanhada. Isso sem falar nas referências à própria atriz, como a fábrica ser de guarda-chuvas e um de seus filmes mais famosos ser Os Guarda-Chuvas do Amor. Ou mesmo, uma certa lembrança de A Bela da Tarde. Não que Suzanne seja uma Séverine, cada uma tinha uma forma bem diferente de encarar a vida ou mesmo as relações sexuais. Mas, em alguns aspectos François Ozon parece ter feito uma leve referência ao filme de Buñuel. Fora o clima meio surrealista de várias cenas.
Potiche: Esposa Troféu está longe de ser uma obra-prima, mas é uma comédia divertida, despretensiosa. Como disse, parece deslocada do seu tempo com discussões políticas ultrapassadas e a velha guerra dos sexos. Ainda assim, passa o seu recado em uma França que se torna a cada dia mais distante das questões humanas.
Potiche: Esposa Troféu (Potiche: 2010 / França)
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Com: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Karin Viard.
Duração: 103 min
Se você gosta de cinema fique atento ao Twitter do CinePipocaCult. Durante uma semana estaremos sorteando pares de ingresso do Cinépolis para os seguidores que estiverem on line. As ações serão surpresas com perguntas, charadas ou simples sorteios. Serão ao todo 10 pares distribuídos, nem todo dia, nem apenas um por dia. Mas, até sexta-feira, colocaremos aqui todos os vencedores, que podem se repetir.
A semana começou com Jim Carrey no Brasil. O ator, que veio divulgar o seu novo filme, Os Pinguins do Papai, passeou pelo Rio de Janeiro, tirou foto no Cristo Redentor, encontrou Rodrigo Santoro, com quem trabalhou em O Golpista do Ano e colocou vídeos na internet sobre o nosso país. Mas, o mais interessante foi a ação que aconteceu na segunda-feira pela manhã. Carrey participou de uma entrevista coletiva diferente, onde crianças faziam perguntas a ele sobre a carreira, filme e gostos pessoais. O evento aconteceu no Rio de Janeiro, mas foi transmitido ao vivo para seis cidades brasileiras, onde várias crianças também assistiam atentas para ver se sua pergunta foi uma das selecionadas.