A Era do Gelo 3D

A Era do Gelo 3
Após ver o filme A Era do Gelo 3, reforço a teoria de que continuações podem estragar uma boa franquia. Apesar de melhor do que o segundo, o terceiro filme, novamente dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, não chega perto da consistência do primeiro. A grande novidade fica por conta da técnica, além de uma animação com detalhes impressionantes e melhor acabada, temos a tecnologia 3D, onde Saldanha pode brincar com a profundidade e textura dos quadros, criando uma sensação interessante e nem um pouco gratuita. Vale a pena pagar um pouco mais para vê-lo.

O roteiro, dessa vez, erra diminuindo a participação de Sid, a preguiça engraçada, fazendo com que suas cenas fiquem soltas. Mas, acerta ao criar uma trama própria para o melhor personagem da série: o esquilo Scratch. É interessante, vê-lo embolando nos pés de Sid logo no início e cruzando com o bando em alguns momentos. Sua trama com a fêmea Scratita arranca gargalhadas da platéia, com direito a cenas de ciúmes da noz. Muito bom.

A Era do Gelo 3 - Scratch e Scratita
A trama parte da solidão de Sid, com a aproximação do nascimento do filho de Manny e Ellie. Diego, também, não está feliz, vendo que seu vigor está menor e quer voltar a ser um tigre solitário. O problema é que para aplacar a solidão, Sid encontra três ovos de dinossauros e resolve criar os filhotes como se fosse dele. A mamãe dinossauro não gosta nada disso e acaba levando a preguiça para um vale subterrâneo, onde diversas feras co-habitam. O bando vai atrás do amigo e acaba conhecendo a doninha Buck. Um personagem interessante, com distúrbios psíquicos que sonha em caçar um dinossauro específico.

A Era do Gelo 3 - Carlos SaldanhaA história em si é simples, com um humor ingênuo, mas que consegue atingir todos os públicos com sua vertente pastelão. Mesmo assim, ao terminar a exibição fica a sensação de vazio. Nada foi acrescentado à experiência, ao contrário do que aconteceu no primeiro filme e que pode ser percebido também em obras como Madagascar e Monstros S.A. Fica gratuito, parece que a história está ali apenas para expor a técnica. Os personagens também ficam perdidos, sem aprofundamento, soltando piadas prontas. Uma pena, poderia ser muito melhor.

Já em relação à técnica, Carlos Saldanha consegue ser ainda mais detalhista nesse terceiro filme. Os planos, as movimentações nas cenas de ação, os detalhes, tudo funciona de forma harmônica tornando o filme uma diversão. Fico feliz de ver um brasileiro tão bem conceituado em hollywood, fazendo um trabalho digno. Não deixa de ser um orgulho e uma esperança de dias melhores para o nosso cinema.



Como curiosidade, a música que embala o casal é You'll never find another love like mine de Lou Rawls. É a melhor cena do filme, mas tem mais trapalhadas de Scratch no decorrer da trama. Você pode ouvi-la na minha rádio na aba esquerda.

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A Festa da Menina Morta

A Festa da Menina MortaJá dizia o ditado, em terra de cego, quem tem um olho é rei. Em uma cidade ribeirinha, nos confins da Amazônia, uma população venera um rapaz há vinte anos como santo. Tudo porque no dia em que a mãe do mesmo cometeu suicídio, ele chamou por seu nome fazendo parecer que ela tinha ressucitado e, logo depois, um cachorro colocou em suas mãos um vestidinho rasgado de uma menina que estava desaparecida. O dito milagre ficou famoso e, todo ano, a cidade se prepara para comemorar A Festa da Menina Morta e ouvir as revelações da menina através da boca do "santinho".

Superstição, misticimo e ignorância são retratados de forma crua em uma história sensível e verdadeira. Primeira obra de Mateus Nachtergaele como diretor, o filme emociona e deixa um nó na garganta com a situação exposta da realidade humana. Porém, a narrativa se arrasta mais do que deveria, com cenas desnecessárias, incluindo um índio dançando break que não diz para que veio e uma participação gratuita de Paulo José. Daria um excelente média-metragem. Como longa, acaba sendo cansativo. Mesmo assim, vale a pena ser conferido.

A Festa da Menina Morta - Dira PaesA direção é correta, com boas passagens e o roteiro inteligente vai contando a história da tal festa e dos acontecimentos passados de forma diluída, sem didatismo. O personagem de Juliano Cazarré é a voz da razão em toda aquele fanatismo estranho e torna-se a melhor coisa do filme, com cenas de puro lirismo. É com Tadeu que o público se identifica. A fotografia de Lula Carvalho têm cores fortes e enquadramentos muito bonitos, sabendo explorar ao máximo o cenário que tem nas mãos.

A interpretação de Daniel Oliveira, no entanto, apesar de bastante elogiada, tendo ganho inclusive prêmios, passa um pouco do tom. Está certo que o Santinho é exagerado e dado a chiliques sem sentido. Porém, em muitos momentos, sua interpretação me lembra tiques do próprio diretor, que tem uma expressão exageradamente teatral e que ficam over em uma película. Sua relação com o pai, interpretado por Jackson Antunes também acaba sendo forte demais, sem justificativa, estragando, principalmente o final do filme.

A Festa da Menina Morta - Daniel OliveiraContudo, é uma obra verdadeira, de um país de excessos e de um povo ingênuo. Vale, principalmente pela reflexão sobre a forma como as pessoas se agarram a qualquer coisa para viver. Como crer que a aparição de um vestido de uma menina morta seja um grande milagre a ser cultuado, tornando um menino perturbado em santo e uma vida miserável em divina.

Como não tem o apoio da Globo Filmes, nem de grandes distribuidores, só agora o filme chega ao circuito oficial. Em Salvador, deve estrear no início de julho no Circuito Sala de Arte que teve uma pré-estréia no último sábado.


Prêmios
- Melhor Filme na categoria Novos Diretores, no Festival de Chicago.
- 6 Kikitos de Ouro no Festival de Gramado - Prêmio Especial do Júri, Melhor Ator (Daniel de Oliveira, Melhor Fotografia, Melhor Música, Prêmio da Crítica e Melhor Filme - Júri Popular.
- 2 Troféus Redentor no Festival do Rio - Melhor Diretor e Melhor Ator (Daniel de Oliveira).
- Melhor Ator (Daniel de Oliveira), no 12º Festival de Cinema Luso-Brasileiro.
- 2 prêmios no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles - Melhor Fotografia e Melhor Roteiro.

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Michael Jackson no cinema

Michael Jackson - álbum ThrillerUm fenômeno do mundo pop, ninguém pode duvidar que na última quinta-feira a indústria da música perdeu um ícone. Mesmo que, há anos ele estivesse apagado pelos inúmeros escândalos e processos, a estrela do Michael Jackson que começou sua carreira no grupo Jackson Five nunca se apagou. Basta ouvir uma música, ver um clipe ou mesmo lembrar de seu famoso passo moonwalking para sua aura artística surgir. Sua morte precoce, na verdade, apenas confirma o fato de que a muito tempo, Michael Jackson, o homem, estava morto, escondido embaixo de piadas maledicentes. Mas, o artista viverá para sempre em suas obras, que foram excelentes até o álbum Bad.

Para não parecer um post gratuito, quero falar aqui da parte cinematográfica de Michael Jackson. Primeiro, claro, em seus clipes. O artista mudou a linguagem do produtor, introduzindo técnicas da sétima arte, criando histórias para suas músicas e impressionando com produções gigantescas. O clipe de Thriller de 14 minutos e orçamento de US$ 800 mil é prova disto. O lançamento do disco aconteceu no momento do apogeu do vinil e coincidiu com o surgimento da MTV. Em 1996, veio até aqui na Bahia, gravar com o Olodum a versão brasileira de They Don't Care About Us, dirigido por Spike Lee.

Michael Jackson The WizSua primeira incursão cinematográfica foi no filme The Wiz (O mágico inesquecível), uma versão black da história do Mágico de Oz. Aqui, Diana Ross é Dorothy, uma professora do Harlem (NY) que ao perder seu cachorro, pega uma nevasca e vai parar na Terra de Oz, uma Manhattan destruída. Nela, entre outros habitantes, ela encontra o espantalho vivido por Michael Jackson, que deseja ter um cérebro. A história é, na verdade, uma adaptação de uma peça da Broadway, logo tem muitos números musicais, dança e cenas divertidas, como a do muro pichado e o encontro com o espantalho Michael. Vale ver como curiosidade.

Michael Jackson MoonwalkerPorém, sua experiência definitiva foi o longa Moonwalker de 1988. Dirigido por Jerry Kramer, conta um pouco da história de Michael Jackson misturando uma aventura fictícia contra um traficante que planeja dominar o mundo, com clipes diversos do cantor, incluindo o vencedor do Grammy Leave Me Alone. No filme, Michael Jackson usa de poderes mágicos, luta e se apresenta como um verdadeiro herói pop. Tornou-se um clássico para os fãs.

Michael Jackson foi também personagem de desenho animado e foi citado em diversos filmes, como a brincadeira em Homens de Preto, além de participar musicalmente de outros, como o divertido episódio dos Simpsons.

Mas, o melhor produto audiovisual de Michael é mesmo o clipe Thriller, dirigido por John Landis. Quase um curta-metragem, totalmente inovador para época, conta uma história, divulga sua música e ainda cria um ícone, repetido por diversos filmes, desenhos, paródias e até uma versão indiana bem trash. Relembrar nunca é demais.

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Grandes Cenas: Matrix

MatrixA cena de hoje foi sugestão de Ari Cabral, responsável pelo design aqui do blog. Em 1999, os irmãos Wachowski surpreenderam o mundo com uma ficção científica totalmente inusitada que mudou o cinema do gênero, criando mundos alternativos, jogos, livros, teorias e cópias diversas. Lembro de ter ido ao cinema desavisada, quase que por acaso e tomei um susto com tudo que vi.

A premissa é a mesma de muitos filmes futuristas: máquinas inteligentes que se voltam contra os humanos, criando uma guerra e os escravizando. Porém, além de misturar muitas teorias filosóficas e se utilizar de diversas referências, Matrix criou uma espécie de nova religião, com direito a messias e premissas de fim do mundo.

As duas continuações pecaram por perder essa aura filosófica, abusando das cenas de ação, além daquela chata explicação do arquiteto. Porém, fechou um ciclo, deixando diversos sub-produtos para a série.

A inovação tecnológica também surpreende, não apenas na interação entre virtual e real, mas, principalmente no jogo de câmeras. A sequência do pulo filmada com 360 câmeras para simular um congelamento na imagem é fantástica e virou referência de inovação (a câmera Matrix).

Matrix sequênciaA cena escolhida é quase no final do filme, mas não revela muito, caso ainda exista alguém que não assistiu ao filme. Morpheus é prisioneiro dos agentes. Trinity e Neo resolvem, então, assumir um plano ousado: invadir o prédio onde o líder da resistência está preso e tentar salvá-lo. É uma sequência de ação de tirar o fôlego. Diversas câmeras interagem, mostrando o que melhor Matrix tem em termos de ação: a união de antigos filmes de Kung Fu com tecnologia, tudo em um estilo de fotografia Noir, quase preto e branco. Uma mitologia de última geração, por assim dizer.

A cena começa mostrando detalhes, com um B.G. de suspense. Os pés de Neo, a mala de armas passando pelo detector de metais, a luz acendendo. Só, então, vemos o rosto do herói. O guarda se aproxima, a câmera agora está de lado, pede para tirar objetos metálicos. Neo abre o casaco, detalhe em seu tronco coberto de armas. Com a câmera atrás da cabeça do guarda vemos Neo empurrá-lo e começar a atirar. Detalhe dos guardas pedindo reforço, aparece Trinity, também atirando do outro lado. Uma câmera plongé mostra a situação dentro do prédio. Vários guardas se aproximam, um verdadeiro exército contra os dois.

Pausa aqui para a explicação filosófica. Neo e Trinity, homem e mulher, yin e yang, a junção do feminino e masculino representando a divindade é sempre explorada por diversas religiões. É interessante perceber que em todos os momentos em que Neo precisa agir para salvar a humanidade, ele conta com Trinity. Esta cena é então, apenas uma representação física disso.

Voltanto a decupagem. Os dois estão parados no corredor, o guarda manda que eles se entreguem. Os dois se olham e correm, cada um para um lado, atirando. Começa, então, uma sequência eletrizante, onde o espectador fica hipnotizado pelo balé, pelos tiros, pelos golpes. Todo o resto fica em segundo plano nesse momento. Tem tiro de lado, pulos, chutes, Trinity subindo pela parede, Neo dando cambalhota sem parar de atirar. Várias câmeras em todos os ângulos possíveis. Várias velocidades para mostrar detalhes ou dar a sensação de dinâmica. Fragmentos de parede para todos os lados, criando uma textura única. É tudo muito rápido e intenso.

Há, nesta cena, a linguagem clara de vídeo game, onde tudo é possível, mas faz sentido, já que estamos dentro de um "vídeo game", aquilo não é vida real, é a Matrix. A única coisa que poderia ser melhor é o som. Aquela trilha banal de games acaba tirando um pouco do brilho da cena.

Após matar todos os guardas, Trinity ainda desliza até a mala (ela não anda, desliza) e os dois entram no elevador, na maior calma. O plus é uma última parede caindo após a porta se fechar. Para o gênero, perfeito.

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Filhos de João - Admirável Mundo Novo Baiano

Henrique Dantas terminou o seu filme sobre os Novos Baianos. O documentário resgata a história do Grupo que faz trinta anos esse ano e que teve em João Gilberto uma grande fonte de inspiração. A idéia do filme é resgatar, através da história desses personagens, a história de toda uma geração. Aqui na Bahia foi gerada uma grande expectativa com o filme. Este é um documentário que promete resgatar uma época símbolo de nossa história e que deve fazer muito barulho ainda pela importância e qualidade. Fiquem com a matéria da Revista do Cinema Brasileiro onde o diretor explica um pouco mais sobre todo o processo.

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Os Falsários

Os Falsários PosterCom o dinheiro judeu bancando o Oscar é fácil apostar que filmes sobre o holocausto sempre irão figurar entre os vencedores. Mas, o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro é de fato um bom filme. Não sei se o melhor, já que pessoalmente, gostei muito mais do inusitado Valsa com Bashir, mesmo assim merece ser visto.

A trama é baseada na história real da "Operação Bernhard". Uma ação do governo alemão, utilizando presos dos campos de concentração para falsificar dinheiro inglês e americano, na tentativa de desestabilizar os cofres inimigos e vencer a guerra. A verdade é que os alemães estavam com dificuldades financeiras e dinheiro falso os ajudaria também a comprar subsídios para luta.

Parece que o cinema alemão está tentando de toda forma limpar a imagem do nazismo de sua história, resgatando temas heróicos pouco conhecidos do resto do mundo. O primeiro passo foi Operação Valquíria, refilmado por Hollywood com Tom Cruise no papel principal. Agora, em Os Falsários, ele levanta a questão ética dos prisioneiros, que mesmo ameaçados pelo horror dos campos e o eminente fuzilamento, conseguem boicotar a operação, retardando a produção de dólar falso, ao se recusar a ajudar o nazismo a vencer a guerra. A questão é: o que vem primeiro, a própria sobrevivência ou a questão mundial? Que adianta sobreviver naquelas situação e manter o nazismo no poder?

Os Falsários Karl Markovics
Stefan Ruzowitzky consegue uma direção limpa, não mostrando apenas o horror dos campos de concentração como a questão ética, principalmente na figura do seu protagonista, o falsário Salomon Sorowitsch, vivido muito bem pelo ator Karl Markovics. Acostumado a pequenos golpes, Sally (como é conhecido) acaba preso pelo governo alemão e levado ao campo de concentração. Lá, começa a sobreviver pintando quadros de oficiais em troca de pequenas regalias. Ao ser transferido para Sachsenhausen, onde será o coordenador das falsificações, ele conhece outras histórias e começa a ser humanizado, mostrando valores éticos e códigos de honra próprios.

A direção peca um pouco, apenas na textura cinza, já comum e batida dos campos de concentração, assim como alguns momentos em que procura criar suspense e ação, como se quisesse inserir o filme no gênero de guerra. Porém, Os Falsários não é um filme de guerra, é um drama humano que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Não precisa ser mais do que isso. O roteiro com uma narrativa não linear no início e final, ajuda a criar um clima para a questão principal do filme, assim como construir uma empatia com o personagem Sally. Apenas um detalhe no final acaba tirando um pouco do brilho do mesmo.

Os Falsários
Como os letreiros finais gostam de lembrar "A Operação Bernhard" imprimiu 134 milhões de libras, o equivalente a três vezes a reserva dos cofres britânicos, mas o retardamento da produção do dólar ajudou a enfraquecer a operação, ajudando no resultado da guerra. Fica a questão: é certo pôr em risco todo um ideal e bem estar mundial pela sobrevivência própria? O filme deixa que o espectador pense no que faria se estivesse no lugar desses prisioneiros. Difícil de imaginar, mesmo assim vale um exercício de consciência.

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In-Edit - Festival de Documentários Musicais

In-Edit Festival de documentário musical
Enquanto aqui no Nordeste a gente está em pleno clima junino, São Paulo e Rio de Janeiro se preparam para receber um grande sucesso das terras catalãs. Trata-se do In-Edit, Festival Internacional de Documentário Musical.

Há sete anos, o festival existe em Barcelona. Em 2004, passou a acontecer também em Santiago do Chile. Em 2009, ele chega a Buenos Aires e Puebla (no México), além das duas cidades brasileiras. A programação é bastante variada, com diversos filmes de difícil acesso e que não conseguem entrar no circuito comercial. Documentário já é um produto difícil de permanecer muito tempo em cartaz, ainda mais com uma temática tão específica.

Além da mostra exibição e da mostra competitiva (onde o público votará no melhor documentário brasileiro), o evento contará com a presença de diretores durante algumas sessões, shows, palestras, debates e outras atividades. Vale a pena conferir.

Mostra Competitiva
Na Base da Bossa, 50 anos de Excelência
Música Subterrânea
Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal
Favela On Blast
Dub Echoes
Fandango

O Festival acontece em São Paulo de 27/06 a 05/07. E no Rio de Janeiro de 09 a 12/07. Confira programação completa no site. Um blog também foi criado para gerar expectativa para o evento, além de falar um pouco sobre os filmes que estarão em exibição. Destaque para o brasileiro As cantoras do Rádio, que já está em cartaz e participa do evento como convidado.

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Overdose de Selton Mello

Dizem que overdose nunca é bom e que pode matar. Mas, em alguns casos, pode ser benéfico. Que o diga o ator e diretor Selton Mello. Não, não estamos falando de João Estrela, personagem interpretado por ele em Meu nome não é Johnny. A overdose é de aparições do ator nas telas nos útimos tempos. Após dirigir seu primeiro longa, Selton Mello poderá ser visto em breve em três filmes ao mesmo tempo. A mulher invisível, uma comédia romântica que já é sucesso de bilheterias, Jean Charles, sobre o brasileiro morto por engano em Londres, e A Erva do Rato, novo filme de Júlio Bressane.

O fato demonstra primeiro o talento do ator e toda a sua versatilidade, já que os três personagens são completamente diferentes. Depois a disposição de Selton em se dedicar com afinco à sétima arte. Vontade que ficou evidente desde o longa O Cheiro do Ralo, onde além de protagonista, ele foi produtor do filme, que contou com uma cooperativa para existir.

Sobre A Mulher Invisível, não há muito mais o que falar. Mas os dois filmes que devem estrear em breve no Brasil prometem chamar a atenção por diferentes motivos. Em 2005, um emigrante brasileiro que vivia em Londres foi confundido com um terrorista pela polícia local e morto com oito tiros em um metrô da capital inglesa. O fato chocou o mundo, principalmente pela forma como a Scotland Yard agiu, sem ao menos perguntar e checar se estava com o alvo correto. Selton Mello viverá o rapaz no novo filme de Henrique Goldman que deve chegar às telas ainda essa semana. É um filme oportunista, com ares de blockbuster, mas, se os americanos podem filmar todas as suas tragédias e casos estranhos, porque não nós?


Totalmente o oposto de Jean Charles, A Erva do Rato é mais um filme experimental de Júlio Bressane, que em uma boa entrevista para revista Época, fala um pouco sobre a polêmica de público vs cinema de arte. Eu continuo achando que tem espaço para tudo. Discussões filosóficas sobre o cinema à parte, o filme fala da relação entre um homem (Ele) e uma mulher (Ela) que se apaixonam em um cemitério e iniciam uma estranha relação que terá a presença de um rato para testá-la. A história é uma fusão de dois contos de Machado de Assis: A Causa Secreta e Um Esqueleto. Promete. Para quem está em São Paulo, amanhã tem pré-estreia gratuita no Espaço Unibanco.


Aproveitando a onda, o Canal Brasil apresenta a partir de amanhã, o Especial Selton Mello. Durante duas semanas, de terça a quinta, sempre as 22h, um filme da carreira do ator será exibido no canal. Na terça-feira, antes do longa O Cheiro do Ralo, será exibido dois trabalhos que ele dirigiu, o clipe do grupo Ira e o curta-metragem Quando o Tempo Cair. É uma boa oportunidade de conferir várias fases do ator em bons filmes do cinema nacional.




Programação Completa:

Canal Brasil (66)
23/6/2009 - 22:00 - Flerte Fatal
23/6/2009 - 22:05 - Quando o Tempo Cair
23/6/2009 - 22:20 - O Cheiro do Ralo

24/6/2009 - 22:00 - Árido Movie

25/6/2009 - 22:00 - O Auto da Compadecida

30/6/2009 - 22:00 - Caramuru, A Invenção do Brasil

1/7/2009 - 22:00 - Lavoura Arcaica

2/7/2009 - 22:00 - O Que É Isso Companheiro

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Chico Xavier - Primeiras imagens

As primeiras imagens do filme sobre a vida do médium Chico Xavier já estão disponíveis nos cinemas e na internet. A caracterização do ator Nelson Xavier impressiona nessas primeiras imagens, mas o clima do teaser trailer me deixou um ar de sensacionalismo que espero que não se confirme. Após o sucesso de público e fracasso de crítica do filme Bezerra de Menezes, eu torço, sinceramente que Daniel Filho consiga me surpreender com um bom filme.


O diretor declarou não ser espírita, e sim materialista, porém queria mostrar esta boa história. “Chico Xavier é um dos homens mais importantes do Brasil. Vou mostrar o ser humano, o homem que tem aura, que puxa para si a responsabilidade de paz e de espiritualidade, no sentido de paternidade. Quero manter o respeito que os brasileiros têm por esse homem humilde, que disse que só queria ir embora quando o povo estivesse feliz. Por coincidência, morreu aos 92 anos, no dia em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo de 2002”, observa.

Chico Xavier teve uma vida humilde e sofrida em Minas Gerais. Logo cedo, começou a apresentar suas faculdades mediúnicas que foram vistas como algo ruim pelos familiares. Aos poucos, as mensagens psicografadas pelo médium foram ganhando fama e sendo comprovadas com pesquisas. Chico Xavier participou de programas de televisão onde foi testado por diversos incrédulos. Ajudou milhares de pessoas com mensagens sobre entes queridos, sofreu processos de familiares de falecidos autores famosos que ele havia psicografado e até participou de um julgamento histórico, onde a mensagem psicografada da vítima ajudou a inocentar o réu. É um homem notório, sem dúvidas. E sua história dá um belo filme, se bem feito.

Filmes com temáticas espiritualistas já são uma realidade comum em Hollywood, porém poucos são os que se comprometem com o Espiritismo. O Brasil, que possui o maior número de adeptos da doutrina, parece o melhor cenário para começar a difundir de forma clara e competente esta mensagem. Como já havia dito na crítica ao filme Bezerra de Menezes, fica a torcida.

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Sylvester Stallone, um lutador

Estereótipos e preconceitos são armas poderosas da mídia. Difícil lutar contra uma imagem negativa, ainda mais quando esta imagem está associada a filmes banais e interpretações medíocres. Assim, é Sylvester Stallone. O ator pouco acreditado no meio, lutou durante toda a sua carreira por um pouco de reconhecimento. Antes da fama chegou a trabalhar como lanterninha de cinema e em zoológicos, limpando jaulas de leão. Resolveu tentar a carreira como ator e chegou a atuar em um filme pornô barato chamado "o garanhão italiano". Ao assistir uma luta entre Mohammad Ali e um boxeador desconhecido teve uma ideia para um roteiro, escrito em três dias. Assim nasceu Rocky Balboa, o personagem que o consagraria e seria repetido em mais cinco filmes.

A consagração com as dez indicações ao Oscar, o sucesso e a carreira promissora, no entanto, não fizeram de Stallone um ator de reconhecido talento. Falar dele e de seus filmes, tornou-se algo passível de críticas. Durante anos, tive em Rocky a imagem de uma série de filmes menor, melodrama barato. Porém, revendo o primeiro filme, comecei a perceber as nuances de um clássico digno de ser visto, revisto e analisado.

Rock Balboa Sylvester StalloneA começar, não é uma história de um boxeador qualquer. É a história de um homem comum, sofrido, depressivo que só quer uma oportunidade na vida. Boxeador de terceira categoria, desacreditado por todos, Rocky sobrevive como capanga de um agiota, mora em um apartamento de aspecto sofrível e paquera, sem sucesso, a atendente de uma loja de animais: Adrian. Sua sorte muda, quando o campeão mundial de pesos pesado, Apollo Creed, resolve dar uma "chance" a um lutador local como prova de que a América é a terra das oportunidades. A escolha de Rocky é por causa de seu codinome pouco comum: O garanhão italiano. Sim, o mesmo nome do tal filme pornô que Stallone fez no início de carreira. Apollo acha que o nome dará boas notícias na mídia e promete acabar com a luta no terceiro round. Rocky aceita o desafio e o encara como a grande chance de sua vida. Ele sabe que não pode ganhar de um campeão, mas quer, ao menos, lutar bem e resistir aos quinze assaltos.

Traça-se aqui uma trajetória do herói incomum. Mesmo assim, traz semelhanças com o manual criado por Vogler na década de 90, inspirado nas mil fases do herói de Joseph Campbell . Primeiro, Rocky já é um derrotado. Sofre como um condenado, sua vida é um desafio constante. Não é preciso, então, chamá-lo a aventura. Quando a chance de mudar aparece, ele não recusa, está lá de forma intensa, perseverante. Mas, precisa de um mentor. Apesar da trajetória de Rocky em seu primeiro filme ser basicamente sozinha, ele precisa de Mickey que lhe dá dicas, incentivos e apoio. Ele possui um bem desejado, que é Arien e encontra o seu elixir.

As lutas de Rocky, analisando toda a série, são sempre bem parecidas com a trajetória. Ele apanha muito antes de conseguir encaixar um golpe. É a sua sina, ele sempre começa por baixo e busca a superação. Até no sexto filme, quando ele já é um homem aposentado, está por baixo, sem o apoio do filho, viúvo e com dificuldades em seu restaurante.

Rock Balboa Sylvester Stallone
Mas, voltando a Rocky - um lutador, o filme funciona sozinho, por mais que peça uma continuação. Afinal, aquele é apenas o início de carreira de Rocky, todos terminam o filme esperando o que vem depois. De qualquer forma, é a história de um homem e sua capacidade de superação. Impossível não se sensibilizar com ele. Até mesmo a sua amada Arien é totalmente atípica. Uma mulher extremamente tímida que desabrocha aos poucos, ao seu lado.

É, sem dúvidas, um ótimo roteiro. Pode não ter ganho o Oscar na categoria específica, mas ajudou-o a ganhar o de melhor filme e direção. Sua história é redonda, consistente e não cai no piegas. Não apela no final, fazendo uma conclusão coerente, possível e bastante satisfatória. Ou seja, é um bom filme e merece reconhecimento.

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Uma História Real

Já que falei aqui de Buñuel e o Surrealismo, vamos falar agora de David Lynch, mesmo não admitindo, parece ser seu discípulo mais fiel. Lynch é um dos poucos diretores de Hollywood que mantêm-se fiel a teoria do autor. Com seu toque surreal, seus filmes sempre se utilizam de metalinguagens, têm imagens oníricas, não tem preocupação linear e nota-se a presença de uma cortina vermelha em alguma cena, que mais parece um fetiche.

Assim, ele brindou o mundo com Veludo Azul, Coração Selvagem, A estrada Perdida, Cidade dos Sonhos ou o recente Império dos Sonhos. Apesar de grandes filmes, o que gosto mais e que vou indicar hoje é a sua tentativa de fugir dessa marca, criando um filme mais, digamos, normal. Falo de A História Real, filme de 1999 que conta a trama de Alvin Straight, que ao receber a notícia de que seu irmão Lyle está muito doente, resolve atravessar dois estados americanos para vê-lo e fazer as pazes antes que seja tarde. Tudo muito normal se não fosse o fato de que o meio de transporte escolhido por Alvin fosse o seu velho cortador de grama.

A história realComeça, então, uma das jornadas mais surreais e lindas já vistas no cinema. Um velho homem, em cima de seu cortador de grama, passando por estradas, sendo ultrapassado por caminhões, motos e até bicicletas, por seis semanas até o esperado encontro com o irmão adoentado. Em sua viagem, Alvin conhece várias pessoas, interage com seus dramas, ajuda e é ajudado. As relações humanas estão em voga nesse filme de Lynch, apesar de ele não esquecer a metalinguagem ao fazer Alvin encontrar uma equipe de cinema em determinado momento.

A história realMas, engana-se quem imagina que esse toque pitoresco do transporte de Alvin foi idéia de David Lynch para que o filme não fosse tão "real". A história é verídica e o velhinho simpático e teimoso virou herói nacional nos Estados Unidos, em 1994. É daquelas histórias que são tão fantásticas que só poderiam ser reais. E fala, principalmente, da perseverança. Alvin não era um louco, ele só queria ter a chance de fazer as pazes com o irmão antes que este falecesse. Não podia dirigir por suas dificuldades de visão, nem tinha condições de pegar um ônibus ou trem até o local. Foi, então, que utilizou o único meio de transporte que tinha. Sofreu durante a viagem, mas nunca desistiu de seu intento.

A história realCom belas cenas de estrada, bons ângulos e enquadramentos. David Lynch nos brinda com um filme sensível e capaz de ser apreciado por todos. E um detalhe para que você não pense que o áudio do seu televisor está com problemas. Procurando dar mais efeito e brincar com o real dentro do filme, Lynch optou por colocar o som pelo ponto de vista do personagem, então, em algumas cenas, o diálogo é quase inaudível para dar a sensação de que estamos no lugar do protagonista ouvindo de longe a conversa.

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Cidade de Deus, entre os melhores da década

Cidade de Deus
Apenas para não deixar passar a boa nova. A Revista Paste elegeu os 25 melhores filmes estrangeiros da década e o filme Cidade de Deus de Fernando Meirelles consta em 4º lugar. Segundo a revista "o filme é o melhor tipo de obra de arte: a que vem de um talento desconhecido em um local improvável".

Cidade de Deus - Buscapé
A seleção completa, mostra que, na verdade, os melhores filmes da década parecem estar mesmo longe dos Estados Unidos, vide obras como O labirinto do Fauno (1º), O escafandro e a borboleta (3º), Fale com Ela (5º), A viagem de Chihiro (6º), O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (12º), Paradise Now (18º) para citar apenas alguns da lista.

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Jornada de Cinema - Apoio

A Jornada Internacional de Cinema da Bahia é um festival que ocorre todos os anos no mês de setembro e engloba diversas manifestações do cinema baiano, nacional e internacional. Além da mostra competitiva, diversos diretores estreantes têm a oportunidade de exibir seus filmes nas salas participantes, movimentando o mercado local e fomentando o cinema como um todo. Em sua 36ª edição, no entanto, a Jornada teve uma baixa sem precedentes. Alegando a crise, a Petrobrás retirou seu patrocínio deixando o evento com problemas. Assim, a classe cinematográfica da Bahia manifesta sua indignação, na qual o CinePipocaCult assina embaixo.

Um pouco mais sobre a Jornada.


Carta da classe:
Perplexos e inconformados com a notícia do cancelamento do fundamental e indispensável patrocínio oferecido pela Petrobrás a realização da 36 Jornada Internacional de Cinema da Bahia, a ABD - Associação Brasileira de Documentaristas e o CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, entidades nacionais do audiovisual, fundadas durante memoráveis Jornadas realizadas no século passado, reconhecendo a importância histórica e a inegável contribuição do evento no processo de construção e desenvolvimento do cinema e do audiovisual brasileiros, decidiram elaborar, tornar público e solicitar o apoio de entidades e personalidades ao abaixo assinado que se segue, que tem o objetivo de sensibilizar os responsáveis por tal decisão e reverter uma situação que poderá causar a inviabilização da realização e continuidade de um evento que, para além dos argumentos já apresentados, constitui-se hoje no mais antigo festival de cinema realizado no Brasil.

Neste sentido solicitamos a adesão e apoio de todos e, em especial das entidades e personalidades do audiovisual brasileiro. Informamos ainda que objetivando facilitar a contabilização e organização do presente abaixo assinado as manifestações de adesão e apoio sejam encaminhadas para:

secretariageral_cnc@cineclubes.org.br

Continuidade e vida longa à Jornada Internacional de Cinema da Bahia!
Respeito a história, a preservação da memória e aos que dedicaram suas vidas ao cinema e a cultura brasileira.
É apenas isso que queremos, buscamos e pretendemos. Nada mais do que isso.

Viva Guido Araújo!
Viva a Bahia!
Viva a Jornada Internacional de Cinema da Bahia!
Viva a cultura e o cinema brasileiros!

Visitem o site da Jornada: http://www.jornadabahia.com/2009/pt/index.html

Solange Lima
Presidente da ABDn

Antonio Claudino de Jesus
Presidente do CNC

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Dio come ti amo

Uma homenagem ao dia de hoje. Uma cena que é mais bela pela música do que pelo filme em si, para embalar os corações apaixonados... Gigliola Cinquetti canta a canção tema do filme, composta por Domenico Modugno, que fez um enorme sucesso nas décadas de 60 e 70. O filme foi praticamente para aproveitar o sucesso da música. E a cena final, é um clipe romântico com a mocinha cantando no auto-falante do aeroporto para o mocinho que está no avião. Feliz dia dos namorados a todos.

Aproveitando o dia dos namorados e os seis anos do site Resenhando, vejam o texto que escrevi sobre seis grandes cenas de amor do cinema.

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Grandes Cenas: Brilho Eterno...

Brilho eterno de uma mente sem lembrançasAmanhã é doze de junho, dia dos namorados aqui no Brasil. Apesar de saber que esta é apenas uma data comercial, proposta pelos lojistas que tinham no mês de junho uma queda de vendas, não deixa de ser interessante falar de amor. Filmes românticos, cenas românticas existem várias. Desde o clássico Romeu e Julieta, passando por Casablanca, E o Vento Levou, A um passo da Eternidade, Um Lugar Chamado Notting Hill, Meu primeiro Amor, ou mesmo Titanic. É difícil escolher a cena mais romântica do cinema para analisar. Então, escolhi o reverso do amor. O filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Porque no fundo, é o mais romântico de todos.

O filme traz Jim Carrey[bb] e Kate Winslet[bb] como um casal que é totalmente o oposto, ele certinho, centrado no trabalho, na vida pacata, ela completamente inconstante, tanto que pinta o cabelo para cada estado de humor (de cores bem normais como laranja e azul). Mas, como dizia Renato Russo "quem um dia irá dizer que existe razão para as coisas feitas pelo coração, e quem irá dizer que não existe razão?" Então, os dois se apaixonam, vivendo o céu e o inferno de uma relação e chegando a conclusão de que se é para sofrer, melhor esquecer o amor.

Esquecer literalmente, em uma ação fantasiosa, o filme traz uma clínica capaz de apagar da memória a lembrança de alguém. O questionamento principal do filme é: mesmo que você tenha sofrido, é válido apagar de sua memória um grande amor? Porque a vida é feita de momentos, uns bons e outros ruins. Passar por ela sem amar é como passar a vida em branco. Já que entramos em uma onda piegas, apelo para Roberto Carlos: "Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi".

Filosofias de banheiro a parte, Brilho Eterno é um daqueles filmes raros. Um drama romântico inteligente que usa uma montagem não-linear para nos envolver em uma trama amorosa frustrada e nos surpreender com as reviravoltas na mesma. Prestem atenção na cor do cabelo da protagonista para não se perder no tempo-espaço. O roteiro é primoroso e nos leva a questionar as relações em nossa vida. A interpretação dos dois atores também ajuda. É, sem dúvidas, um grande filme.

Brilho Eterno de um Mente sem Lembrança - frames da cenaA cena que escolhi para resumir este momento, não vou dizer em que ponto do filme está, pois acabaria quebrando a surpresa dos que ainda não viram o filme. Mesmo assim, se você é daqueles que não quer saber nada antes do filme, vá vê-lo e volte aqui depois. Até porque, o filme é muito bom, vale a pena. Aos que continuarem, vejam apenas como a história de um casal que ao mesmo tempo em que quer esquecer os problemas que tiveram, não querem esquecer o amor que ainda sentem. O desespero, ponto crucial, de estar tudo sumindo, de querer mudar o destino, de querer estar ali. Tudo isso está resumido nesta cena.

Eles estão na casa de praia, ela sobe as escadas, uma câmera subjetiva a segue. Logo atrás, está ele, confuso, quer ficar, mas tem que ir embora. A cena é escura, representando a mente confusa do personagem. É uma exposição de sentimentos. Detalhes do chão, primeiro seco, com os pés do personagem indeciso. Depois a água entrando. Já não é mais a lembrança, mas a reflexão dela.

A câmera na mão segue Jim Carrey, mostra sua angústia, sua frustração pela atitude no passado. O som da onda do mar batendo, levando as lembranças é uma bela metáfora. O constraste de luz e sombra, externam sua angústia. A água entrando na casa, invadindo sua memória que será apagada. Interessante que após ela subir a escada, ficamos apenas com a imagem dele, ali estão os seus questionamentos, não é mais a lembrança do primeiro encontro. Apenas a voz dela é ouvida. Ele olha pela janela, o mar forte lá fora, pronto para invadir. A música triste começa a subir em B.G. Ele expõe todo seu medo e insegurança no primeiro encontro. Mas, tudo bem, parece que acabou, não tem volta. Até que ele sai pela porta, não há mais lembranças e algo acontece: ela o chama. Aí está o plus do filme, que não vou explicar, senão perde a graça. Mas, ela sai da sombra, toma a atitude, e os dois se despedem. É tocante, é bela, é mais que romântica. É a certeza de que apesar de tudo, o amor vale sempre a pena ser vivido. Ou não?

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Música Trocada

A música sempre foi algo marcante em filme, por isso, coloquei no blog uma lista na barra lateral da esquerda, vocês podem se divertir enquanto lêem os textos. Uma trilha sonora bem feita torna o filme ainda melhor, criando efeitos diversos e deixando marcas eternas em nossa memória. Pensando nos efeitos das músicas, uma febre invadiu o youtube. A brincadeira de troca de músicas em cenas clássicas do cinema. É a série "Inappropriate Soundtracks", tanto que a Revista Época citou o fenômeno, em sua edição da semana passada (bombou na web).

Encontramos de tudo, desde piadas bem feitas que criam efeitos emocionantes como o clipe de 300 ao som de We are the champions, passando por brincadeiras hilárias, como Pulp Fiction ao som de Baile dos Passarinhos, ou coisas de mal gosto como O Exorcista ao som de Girls just wanna have fun. Ou ainda, brincadeiras com o tempo, mostrando o novo Batman ao som do antigo, da série de televisão.

Poster da homenagem da família na data em que faria 75 anosTudo isso me lembrou Dr. Gilberto França Gomes. Um médico aqui de Salvador, já falecido, grande admirador da sétima arte, que tinha como hobby brincar com montagens diversas, em sua ilha de edição ainda linear (para a geração não linear, tratava-se de dois vídeos cassetes, ligados por uma mesa de corte, onde a edição era feita na ordem, de uma VHS para outra). Com muito talento, Dr. Gilberto criou a "TV França Gomes" e sempre fazia sessões para família e amigos, demonstrando seu amor pela arte. Sua preferência sempre foram os musicais, até por isso, em 1992, ele criou o Música Trocada, uma brincadeira com musicais clássicos ao som de músicas que, na época, eram novas.

Na abertura do filme ele já advertia: "Pedimos desculpas à turma da velha guarda pelas brincadeiras, mas para os jovens, vai ser uma curtição." E foi mesmo. De forma inteligente, ele fez Fred Astaire e Jane Powell dançarem "Lambamour" de Kaoma ou Cyd Charisse dançar "Samba de uma nota só". Mas, as que considero suas melhores montagens são: a clássica cena de John Travolta em "Os embalos de Sábado a Noite" por ser hilária; e Fred Astaire e Bety Hutton em "Nasci para Bailar", pela precisão da montagem.

Os Embalos de Sábado a Noite é o grande musical dos anos 80. Na verdade, ele é do final da década de 70 (1977), mas entrou para os clássicos da década seguinte, por aproximação. Foi o filme que projetou John Travolta[bb] e é referência de cena de dança. Dr. Gilberto pegou a cena do concurso onde Tony Manero mostra seus dotes e juntou com um clássico da lambada. O resultado não poderia ser mais hilário. Parece que Jonh Travolta está ouvindo "Isso é bom" (Cuisse Lá), mais conhecido como "Ui pitchi pitchi".

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Nasci para Bailar é um filme de 1950, auge dos musicais de Hollywood. Traz Fred Astaire[bb] e Bety Hutton, em uma bela performance e é lembrado pelos amantes do gênero, apesar de não ser um dos grandes clássicos. A grande sacada de Dr. Gilberto aqui, foi o início. A discussão entre o casal, ao som de Daniela Mercury dizendo "não me abandone" e a sincronia perfeita com o início da música propriamente dita. É realmente, imperdível.

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É uma pena que Dr. Gilberto não tenha vivido para ver as maravilhas da tecnologia e de uma ilha de edição não linear que ele teria facilmente em seu computador... Se com uma mesa de corte, ele já proporcionava tantos risos, o que faria com outros recursos? Fica a homenagem e o agradecimento a sua filha, Grace Gomes, por ter me permitido compartilhar parte dessas duas pérolas com vocês.

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Um cinema nacional bem visível

É um crescente, não resta dúvidas. O cinema nacional está cada vez mais firme, com bons filmes sendo lançados por mês. Ainda não temos uma indústria forte, basta olhar a quantidade de Lei de Incentivo, patrocínio e parcerias necessárias para colocar um filme nas telas. Mesmo assim, um paradigma parece começar a ser quebrado. As bilheterias crescem a olhos vistos e, pelo menos, um gênero parece se firmar no país: A comédia. Após o sucesso de Se eu Fosse Você (1 e 2) e Divã, chega a vez de A Mulher Invisível. Longa que demorou quatro anos para ser lançado, acabou rotulado de oportunista, pegando carona nos sucessos anteriores. Porém, acaba se mostrando o mais fraco da série.

Pedro é um controlador de tráfego, homem comum, fiel e apaixonado pela esposa. É surpreendido com a notícia de que está sendo abandonado e entra em depressão profunda. Sua vida melhora quando ele conhece Amanda, uma vizinha nova que além de linda, limpa a casa, lava, cozinha, é boa de cama, não é ciumenta e adora futebol. Ou seja, a mulher perfeita. Tão perfeita que não é real.

Luana Piovani a mulher invisívelNão vou aqui entrar no mérito que alguns cinéfilos insistem de que cinema de comédia é bobo, vazio, entretenimento pipoca, etc. É mesmo. Como muitos filmes de Hollywood, é um produto despretensioso, que visa o entretenimento puro e as bilheterias. Repito o que disse na crítica de Se eu Fosse Você 2, que bom que o Brasil já está fazendo esse tipo de filme bem. Acho também, que temos bons filmes em outros gêneros e que temos que continuar investindo neles. Porém, se é para analisar esse, temos que vê-lo como ele é e não exigir algo que ele não pode dar.

É um filme engraçado, sem dúvidas, com um bom elenco, situações inusitadas e piadas com ritmo. Porém, há um problema no roteiro que acaba deixando este aquém no gênero a que se propõe. É inteligente a forma como ele amarra a história dos dois vizinhos, entrelaçando os personagens principais e nos levando a resoluções previsíveis, mas não menos interessantes. O problema é a economia narrativa. Economia aqui no sentido de distribuição das viradas no roteiro, que ficam excessivas, tornando o filme cansativo do meio para o final. Além de apelar em alguns momentos, como Amanda torcendo para o "clássico" da terceirona: Luziânia x Sobradinho.

Selton Mello Vladimir Brichta a mulher invisívelO personagem de Selton Mello[bb] acaba sendo pouco desenvolvido, ficando raso, estereotipado, apesar da boa interpretação do ator. Em compensação, Vladimir Brichta consegue ser mais do que uma orelha do protagonista, ganhando força no final. Maria Manoella está ótima no papel da vizinha apaixonada, bisbilhoteira, assim como Fernanda Torres como a irmã com tiradas engraçadas. Luana Piovani é a grande surpresa, em um papel tão delicado que podia cair no vulgar, ela encontra o tom da interpretação que dosa o sensual com a comédia, saindo-se muito bem.

Maria Manoella Fernanda Torres A mulher invisívelSegunda comédia de Cláudio Torres, o filme é bem dirigido, com cortes de cameras rápidos, com boa movimentação e um jogo interessante na hora de mostrar a cena com e sem Amanda. E não há aqui uma insistência dos vícios televisivos, nem mesmo na trilha sonora, o que é um avanço considerável nesse tipo de filme brasileiro. Como já disse, vale como entretenimento. Que o cinema nacional consiga encher cada vez mais as salas de cinema.

Resumo do filme, as melhores cenas estão aqui, então... Melhor não ver se quer se surpreender.


Cena cortada, realmente, desnecessária ao filme.

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Surrealismo

O Cão AndaluzHá oitenta anos, em 06 junho de 1929, estreava em Paris um filme que causaria espanto e surpresa, revolucionando o cinema: O Cão Andaluz. Produzido por Luis Buñuel com a ajuda de Salvador Dali, a cena inicial, com uma mulher tendo o olho cortado por uma navalha, causou tanta angústia que um espectadora chegou a sofrer um aborto espontâneo. Assim, ambos conseguiram o seu intento de ser admitidos no grupo de André Breton, passando a frequentar as reuniões semanais do Movimento Surrealista.

Fortemente influenciado pelas idéias de Sigmund Freud, o surrealismo busca ir além da razão, revelando através da arte as sensações do inconsciente. “Nós combatemos sob todas as formas, a indiferença poética, a distração artística, a pesquisa erudita, a especulação pura, e não queremos ter nada em comum com os economizadores de espírito”, dizia parte do manifesto publicado em 1924.

Dez anos após O Cão Andaluz, Dali e Buñuel[bb] lançam A Idade do Ouro, também uma sucessão de imagens oníricas que causam sensações diversas no espectador. Melhor não explicar a história de nenhum dos dois filmes. Não é explicável. Ao fazer isso a minha razão quebra o manifesto surrealista que não quer a razão e sim a sensação que as imagens podem causar, se libertando da ordem. Falo apenas que um é a passagem do tempo, o outro, os tabus de uma sociedade conservadora.

Buñuel brigou com Dali, foi para o México onde produziu alguns bons filmes e retornou para França, onde dirigiu suas obras-primas: O Anjo Exterminador e A Bela da Tarde. Ambos com traços surrealistas que ele nunca abandonou, porém com uma história que pode ser minimamente contada.

O Anjo Exterminador PosterO Anjo Exterminador fala da inércia da sociedade burguesa (alvo principal do surrealismo), provavelmente de onde Caetano Veloso tirou o refrão de Panis et Circensis. Após uma noite agradável em uma casa, um grupo de amigos não consegue sair da sala, sem nenhum motivo aparente. As portas estão abertas, eles querem ir embora, mas uma força maior incompreendível os impele a permanecer ali. Aos poucos, a comida vai acabando, eles vão ficando sujos, cansados, mas não conseguem atravessar a linha da porta. A angústia vai tomando conta dos presentes que começam a mostrar suas verdadeiras faces, discussões são travadas, revelações feitas, tudo com uma câmera investigativa, densa, expondo aquela situação absurda. Em dado momento, animais passam pela outra sala, pessoas lá fora se aglomeram achando que eles não saem por alguma ameaça real assustadora. Porém, tudo não passa de inércia. Esta é a metáfora que ele quer passar. E a angústia que sentimos ao ver o filme, considerando aquilo absurdo nos faz refletir em quantos momentos absurdos passamos na vida, sem coragem de agir por pura inércia.

O anjo exterminador sala de jantar
Poster A bela da TardeA Bela da Tarde é ainda mais complexo. Fala da insatisfação humana. Séverine, vivida por Catherine Deneuve[bb]
, é uma mulher bonita, bem casada, com uma situação financeira estável, porém não está satisfeita. O filme começa com uma cena estranha com ela em uma carruagem, ao lado do marido. Em um dado momento, ele a manda saltar e bate nela. Tudo não passa de um sonho, sonhos cada vez mais comuns para Séverine. Em uma tarde, sem motivo aparente ela entra em uma casa que serve de bordel de luxo e pede emprego. Todas as tardes, então, enquanto o marido está trabalhando, Séverine vive a fantasia de ser uma prostituta recebendo os piores tipos de homens que batem, abusam e a desrespeitam. Alguma lógica nisso? Mais uma metáfora angustiante da nossa insatisfação com a vida.

Catherine Deneuve A bela da tarde
Porém, ambos não podem ser analisados apenas com as palavras acima, pois antes de tudo, os filmes de Buñuel são imagens. É o ritmo da sucessão de cenas, da música, da montagem, dos movimento de câmera que dão o tom e trazem as sensações mais diversas. Foi o que ele sugou de mais belo e mais complexo da teoria de Freud, do movimento surrealista, mas, acima de tudo, do mecanismo próprio de fazer cinema e ser considerado um autor.

Para encerrar, um vídeo que encontrei com o resumo da vida de Buñuel. Vale a pena dar uma olhadinha.

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Anjos, Demônios e muito marketing

anjos e demonios posterFinalmente me rendi e fui ao cinema ver Anjos e Demônios, novo longa metragem de Ron Howard. Coube ao diretor também trazer as telas a adaptação de O Código Da Vinci, outro best-seller de Dan Brown[bb], e pouca diferença ele demonstrou nas duas tramas. Claro, Código Da Vinci era mais complexo, com mais informações e o filme ficou truncado. Sem falar na resolução da história que muitos consideraram piegas e inverossímil. De qualquer forma, a fórmula é a mesma. Um assassinato misterioso, muitos códigos ligados a sociedades secretas, um acadêmico que é a mistura de James Bond com MacGyver, uma garota bonita envolvida de alguma forma no caso, uma polícia desconfiada e um chefe de investigações suspeito. Tudo isso, misturado a muita ação, efeitos especiais interessantes e uma bela fotografia da história do mundo.

Na verdade, a receita de bolo é de Dan Brown. Ele criou um método próprio para chamar a atenção, dosando muito bem o suspense e fazendo pose de dados históricos envolvendo os bastidores da Igreja Católica para gerar polêmica. Não teve erro. Virou best-seller porque foi competente naquilo que se propôs. Não vejo muita diferença dele para nosso Paulo Coelho. Sua forma de escrever pedia um filme e a indústria não perdeu tempo.

Ótimo! Cinema também é entretenimento. E o filme cumpre o seu papel. Aqui melhor do que em O Código Da Vinci, por ter uma história mais concisa e por ter tirado um detalhe muito incômodo no final do filme. Realmente a resolução ficou muito melhor, menos fantasiosa, por mais que ele tenha dito que era científica no livro. Por outro lado, ao cortar o discurso do Carmelengo, ele quebrou um encanto em relação ao personagem que tornou o seu final esquisito. Mas, enfim, não vou falar demais para não virar spoiler, quem viu e leu sabe o que estou falando.

Uma coisa curiosa foi o fato de tornarem o filme uma continuação de O Código da Vinci, quando o livro narra uma aventura anterior a saga do Santo Graal. Na verdade, o livro foi lançado antes, o sucesso de O Código é que foi maior e o tornou prioridade na lembrança de todos. De qualquer forma, a continuação ficou sutil, apenas na indicação de que Robert Langdon teria tido um problema com a Igreja anteriormente.

Falando do filme, propriamente dito, a interpretação de Ewan McGregor é o destaque do elenco. Denso, em um personagem complexo e forte, ele realmente chama a atenção e destoa dos demais. Impressionante como um ator que já ganhou dois Oscar como Tom Hanks[bb] consegue ficar tão canastrão no papel do simbologista. Já Ayelet Zurer é uma bela mulher, competente, mas sem nenhum brilho no papel.

Ewan McGregor anjos e demoniosA fotografia é linda, não há inovação nas câmeras, os movimentos e enquadramentos são os mais tradicionais possíveis. Porém, Roma é uma bela cidade e suas igrejas e obras de arte ajudam na composição do imaginário mítico. Ver a praça de São Pedro lotada esperando a notícia do novo Papa também é interessante. Uma cena que destaco é o helicóptero subindo da praça Navona iluminada.

Por tudo isso, repito que o filme cumpre o seu papel, um bom entretenimento com pinceladas de cultura, feito exclusivamente para fazer sucesso. Deve conseguir, da mesma forma que O Código da Vinci foi recorde de bilheteria.

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TOP BLOG

Snoopy feliz
O CinePipocaCult está concorrendo no TOP BLOG, na categoria Cultura. E chega em boa hora, prestes a completar um ano de vida, o blog passou por algumas reformulações no layout e foi acrescentando novos conteúdos. Tudo isso me deixa muito feliz, pois comecei meio sem saber onde isso ia dar. Conto com a ajuda de vocês na votação, basta clicar no selo na lateral do blog e votar. Os cem blogs mais votados vão para análise do júri técnico. Só de estar entre eles, já seria um grande reconhecimento.

Obrigada a todos pela visita, pelas mensagens e pela participação.

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Jogo: Filmes escondidos

Esta dica veio da Cecilia Barroso.
A Empire Online, especializada em notícias do cinema e resenhas de filmes, fez uma pintura com nomes de filmes escondidos (em inglês), uma ação parecida com a que a Virgin Records fez anos atrás com nomes de bandas de rock, muito interessante.

Imagem do jogo da Empire

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Acontece na cidade...


Apenas para registrar, amanhã no Espaço Unibanco Gláuber Rocha, será o lançamento oficial do Doc TV IV, com a exibição de quatro dos seis filmes baianos premiados no ano passado. Os documentários serão exibidos na TVE a partir de 4 de junho, todas as quintas-feiras às 23h. Apesar do horário lamentável, é uma boa oportunidade de ver todos, já que na exibição de amanhã cada filme estará em uma sala, exibidos ao mesmo tempo.

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Me faça uma garapa

Garapa"Não sou do tipo que diz "não vi e não gostei", por isso não vou entrar no mérito, porém passeando pelos sites e blogs é impossível deixar de perceber o assunto do momento: Garapa, novo documentário de José Padilha[bb]. O nome do diretor parece que virou símbolo de polêmica. Podemos dizer que seja o nosso Michael Moore tupiniquim. Polêmico, controverso e com algo que os documentaristas mais puritanos condenam: a opinião própria conduzindo e induzindo o público.

Foi assim em Ônibus 174, quando Padilha reuniu todas as imagens que flagraram a dura sina dos passageiros sequestrados em pleno Jardim Botânico por cinco horas no Rio de Janeiro. A forma como ele contou a história, quase que para comprovar a sua tese, foi alvo de crítica de muitos cineastas. Mas, era um documentário e este gênero não tinha a amplitude no Brasil para tanta polêmica na imprensa.

A exposição maior veio quando ele resolveu fazer seu segundo documentário que acabou virando ficção. Com uma ajuda substancial da censura, que gerou curiosidade. E da pirataria que criou um fenômeno de distribuição no país, Tropa de Elite ganhou mundo. Todos viram, ouviram e comentaram sobre o filme. Venceu em Berlim e ganhou críticas taxando-o de fascista. Uma bobagem, em minha modesta opinião. Ao contrário dos documentários de Padilha que induzem a uma conclusão de certo e errado. A saga do Capitão Nascimento apenas expõe uma realidade com detalhes cruéis, desumanos, mas não entra no mérito do que é ou não válido. Dando apenas subsídios para pensar.
garapa josé padilha
O fato é que, após todo o burburinho, qualquer coisa que Padilha fizesse viraria notícia fácil. E ele chega as telas com Garapa, um documentário quase encomendado sobre a fome no Brasil. Um tema nobre, preocupante e totalmente válido de ser discutido. O documentário é um meio de comunicação, denúncia, protesto. A polêmica está em como fazê-lo. Algumas críticas que li apelam para o fato de que não existem pessoas morrendo de fome no Brasil. Porém, comer algo não significa se alimentar. Subnutridos, a maiorida da população enche a barriga de jabá com farinha, ou com uma bebida adocicada que engana a fome: a chamada Garapa. E isso é deprimente até para os menos sensíveis.

Pelo visto, Padilha quer chamar a atenção para o problema e comover a todo custo. O filme é todo em preto e branco, com muita câmera na mão e sem nenhuma trilha sonora (tão criticada por alguns em O ônibus 174). O que se espera é que tanto burburinho leve a algo produtivo, senão, é apenas muito barulho por nada. E disso, já estamos cansados. Talvez por esse motivo não tive a motivação para ir ao cinema vê-lo. E dei como título a este post uma expressão baiana que usa o termo garapa para dizer algo como: "não me enrole não" ou... "por favor, eu não sou otário".

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