Caiu do céu

Caiu do CéuCaiu do Céu não é dos filmes mais conhecidos de Danny Boyle, como Extermínio ou o premiado Quem Quer Ser um Milionário?, mas a fábula infantil de um garoto quase obcecado por santos e milagres é muito interessante, principalmente pelas interferências gráficas e pela imaginação do pequeno Damian. Com roteiro de Frank Cottrell Boyce, a história aparentemente clichê do poder de corrupção do dinheiro e força dos sonhos infantis nos envolvem de forma divertida e inusitada, onde dinheiro cai do céu, santos e mártires aparecem de todos os lados fumando e dando conselhos estranhos e os seres humanos não parecem mesmo dignos de confiança.

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Yes, We Can!


Hoje começa o último confronto da primeira fase do Prêmio BMD, após vencer o Ah Tri Né! e perder para o Ocioso, o CinePipocaCult ainda tem chances de passar a próxima fase vencendo o Luide e o Tempo. Passar para as oitavas já vai ser a nossa grande vitória, independente do que ocorrer, e claro, participar já foi um bom reconhecimento.

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À procura da felicidade

Will SmithThe American Dream: conceito que prega que os Estados Unidos é a terra das oportunidades. Qualquer pessoa, independente de classe, cor ou credo com perseverança e trabalhando duro pode alcançar o sucesso e subir na vida. Milhares de filmes, até mesmo desenho animado, já propagaram essa idéia e fizeram o resto do mundo sonhar em viver na América. Por que, então, o filme do diretor italiano Gabriele Muccino tocou tão fundo a todos, a ponto de À Procura da Felicidade figurar como a maior nota no IMDB de todos os tempos? Primeiro porque, por mais surrada que seja, a idéia de correr atrás dos seus sonhos e realizá-los é um ânimo a mais para nossa labuta diária. Segundo porque o roteiro de Steven Conrad não é uma idéia original, mas baseada na vida de Chris Gardner, um homem que conseguiu virar uma lenda no mercado de ações.

Chris Gardner era um homem sem sorte que apostou todas as suas economias em um invento estranho, um scanner médico de última geração. Comprou todas as unidades de uma fábrica e tentou revendê-las de porta em porta, ou melhor, de consultório em consultório. Como ele mesmo define, um scanner vendido paga as contas do mês. Nessa corda bamba, onde os médicos insistem em considerar o objeto um luxo, Chris tem que cuidar de seu filho Christopher e de sua mulher Linda, que está cansada de tantas incertezas. É quando Chris começa a observar os executivos da bolsa de valores e define aquilo como felicidade. Começa, então, sua luta para se tornar um deles e uma sucessão de azares que faz sua mulher o abandonar, ser despejado várias vezes e até ter que dormir um dia em um banheiro de uma estação de metrô.

Will SmithE o mais interessante é que não fica exagerado demais, a sucessão de acontecimentos é crível, não apenas porque sabemos que é baseado em uma história real. Inclusive, com uma pesquisa no Google é possível perceber que Steven Conrad floreou um pouco a trajetória de Chris, exagerando em alguns momentos e omitindo alguns outros detalhes para fazer do personagem o herói perfeito. Totalmente incompreendido pela mulher que o abandona em um momento decisivo, Chris passa noites em claro estudando, faz jornada dupla e ainda tem tempo para levar o filho para passear nos fins de semana. Com um estágio não remunerado na Dean Witter, Chris tem que passar pela seleção que após seis meses contratará um candidato entre 20 estagiários.

Will Smith, indicado ao Oscar por esse papel, consegue uma interpretação emocionante desse pai dedicado e homem obstinado. Nos envolvemos com o sonho de Chris e torcemos para que ele consiga, principalmente pelos entraves que encontra pelo caminho, desde a mulher, passando pelos locatários das casas, até o instrutor que o faz de boy muitas vezes. O pequeno Jaden Smith, seu filho com a atriz Jada Pinkett, já demonstra o talento que se comprova em Karatê Kid. Sua atuação é bastante natural, sem afetações típicas de crianças nessa idade. Claro que atuar com o próprio pai deve ter ajudado. Thandie Newton está bem também como Linda, a ex-esposa de Chris, mas sua personagem é uma das mais injustiçadas no roteiro.

À Procura da FelicidadeBuscando exagerar na identificação com o protagonista, o roteiro fecha o enquadramento neste e nos torna um pouco cegos. Não há a oportunidade de entender a personagem Linda e seus dramas com aquele marido sonhador, ela é quase uma vilã que abandonou o barco. Assim também é como acabamos sendo levados a ver os cobradores de Chris, que não compreendem que ele está falido. Mas, não nos é mostrado o drama dessas pessoas, o taxista que levou calote também deve ter contas a pagar, assim como o dono da casa onde a família mora, sem falar no amigo que lhe deve 14 dólares. Outra coisa estranha é a capacidade que Chris tem de sempre se bater com os transeuntes que roubaram um scanner seu.

Mas, nada disso tira o mérito e o brilho da história, nem do filme. Muito bem dirigido, com fotografia bem cuidada sempre privilegiando o drama do protagonista, À Procura da Felicidade é daqueles dramas envolventes que nos passam a idéia de que a vida tem um sentido maior e que devemos buscar os nossos sonhos. O próprio protagonista em uma cena diz a seu filho que nunca deixe ninguém dizer o que ele não pode fazer. Nem mesmo ele. Se temos um sonho devemos buscá-lo. É essa certeza que nos impulsiona a viver. Por isso, o filme nos toca tão profundamente. Quem não tem um sonho guardado em algum lugar dentro de si?

Uma curiosidade, o verdadeiro Chris Gardner aparece no filme. Na cena final, ele cruza com Will Smith e seu filho. O ator ainda olha para trás sorrindo e acompanhando os passos do empresário, dando a dica para platéia.

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Entrevista exclusiva com Ana Rosa sobre Nosso Lar

Esta semana aconteceu a pré-estreia do filme Nosso Lar em Salvador e eu tive o prazer de entrevistar a atriz Ana Rosa para o CinePipocaCult. Em sua vasta carreira, figurando inclusive no Guinness Book com a atriz com maiores participações em telenovelas, a atriz tem se destacado também por personagens espíritas, religião que desde 95 declarou seguir. A atriz tem viajado pelo país divulgando Nosso Lar, sempre com simpatia e emoção como podem perceber na conversa a seguir.

Ana Rosa - Nosso LarBezerra de Menezes, Chico Xavier, Nosso Lar... Algumas pessoas estão falando que está surgindo no Brasil um gênero de filme espírita. Você concorda com essa definição?
- É evidente que estamos vendo hoje uma grande quantidade de obras com essa temática espírita. Mas, no cinema americano, por exemplo, a gente teve Ghost, Os Outros, O Sexto Sentido, Amor Além da Vida, que mostra tudo o que nós falamos em nossos filmes brasileiros, mas não falam em espiritismo, porque não se prendem a doutrina. Lá eles se prendem muito mais a fenomenologia, e para nós é mais importante o lado moral. E como aqui são adaptadas de obras espíritas, talvez pudéssemos realmente chamar de filmes espíritas.

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Meu querido John

Meu Querido JohnAmanda Seyfried virou mesmo queridinha da América, seus três últimos papéis foram marcantes e diferentes. Se em O Preço da Traição ela é dissimulada e em Cartas para Julieta, uma mulher bem resolvida, em Querido John vem como uma adolescente pronta para se apaixonar. Em todos os papéis se sai bem, apesar de não ter nenhuma interpretação fora do comum. Já seu par, Chaning Tatum tem uma interpretação bastante rasa, apesar do belo físico. Ambos, porém, protagonizam uma bela história de amor, envolvente, emocionante que nos deixa satisfeitos mesmo com uma enorme quantidade de clichês e problemas fílmicos.

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Kung fu (ops) Karatê Kid

Karate Kid posterBom, a piada no título é óbvia, afinal nada mais esquisito do que assistir a um filme que tem o nome de Karatê Kid se passando na China com um garoto aprendendo Kung Fu. Claro que os produtores quiseram relacionar à franquia dos anos 80, até porque o roteiro é uma adaptação da história original. Além disso, existe uma série de televisão chamada Kung Fu Kids, que nada tem a ver com o filme de Harald Zwart. Mas, mesmo entendendo tudo isso, não deixa de soar muito estranho. De qualquer forma é um filme que diverte e funciona como sessão de domingo com a família.

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O escritor fantasma

Ewan McGregorFinalmente assisti O Escritor Fantasma, estava devendo isso a mim mesma, afinal, apesar de todas as polêmicas envolvendo Roman Polanski, poucos sabem compor um suspense psicológico tão bem quanto o diretor. Com elementos que lembram seus filmes anteriores, a exemplo de O Bebê de Rosemary, Chinatown, ou mesmo O Pianista, Polanski nos traz um filme sobre os bastidores da política de uma forma instigante. Baseado no romance de Robert Harris, que assina o roteiro junto ao diretor, o filme é uma referência óbvia ao ex-ministro Tony Blair e seu envolvimento na guerra do Iraque. Apesar de tudo, falta algo para fechar este filme com maestria, que começa a desandar quando o protagonista entra no carro do seu antecessor e segue seus passos. Ainda assim, é um filme a ser visto e admirado.

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A vida dos outros

A Vida dos OutrosExistem assuntos que são datados, ideologias que caem por terra. Ao criar o socialismo científico, Karl Marx e Friedrich Engels certamente não imaginaram um fim tão melancólico. Tudo estava perfeitamente traçado, uma ditadura por um bem maior seguida de uma comunidade igualitária onde não existiriam dominantes nem dominados. Mas, ambos não contavam com duas coisas: primeiro, a ânsia por liberdade do homem oprimido, segundo, o gosto pelo poder do homem dominante. Assim, a história nos mostrou os resultados, mas interessante que vemos poucas histórias sob o ponto de vista de A vida dos Outros, longametragem alemão vencedor do oscar de filme estrangeiro em 2007.

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Narradores de Javé

José DumontNos confins do mundo, esquecido em um vale em pleno Nordeste está o povoado de Javé. Ameaçado por uma represa que está prestes a se instalar ali, a população local precisa provar seu valor histórico para não ver suas casas afundar. Mas, como provar o valor de um povo semi-analfabeto que vive totalmente da oralidade passada de pai para filho? Talvez como um resgate de nossa mais pura origem, ali, Javé já valesse ser ouvida. E é assim que Eliane Caffé constrói a sua história, que não apenas dirige como assina o roteiro junto a Luiz Alberto de Abreu.

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Wall Street

Michael DouglasEm 1987, Oliver Stone nos brindou com um filme sobre os bastidores do mundo econômico de Wall Street. Ainda não tínhamos Advogado do Diabo ou O Diabo Veste Prada, então, este foi o melhor exemplar da lógica capitalista, quase sempre cruel e sem escrúpulos. “Greed is Good”, definiu o personagem de Michael Douglas ("A ganância é boa", em tradução literal). Como em breve, o mesmo diretor e o mesmo ator voltam a tela com a continuação desse clássico, resolvi resgatá-lo aqui.

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O sexto sentido

Haley Joel OsmentAinda no clima Avatar vs M. Night Shyamalan, percebi que não falei de seu grande filme aqui no blog. Por isso, resolvi resgatar O Sexto Sentido. Esse é daquele tipo de filme que nos marca pela coerência interna e total surpresa na revelação final. Um roteiro incrível com uma bela direção. Além das grandes interpretações de Bruce Willis e do menino Haley Joel Osment. Vou tentar não entregar os segredos do roteiro, apesar de acreditar que a grande maioria já viu, ou pelo menos conhece a verdadeira história.

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Contagem regressiva para Nosso Lar

Nosso LarPela quantidade de posts que já fiz no blog sobre o filme, dá para perceber a expectativa que estou para a produção de Nosso Lar. Por isso, reproduzo aqui a mensagem que recebi falando do filme, com links para todas as mídias oficiais, além do site para compra de ingressos antecipados. Para quem está esperando como eu, é bastante útil.

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O que houve com M. Night Shyamalan?

M. Night ShyamalanApós os comentários do post sobre O último mestre do ar, senti vontade de analisar um pouco a trajetória de M. Night Shyamalan em Hollywood. Apesar de ter nascido na índia, Shyamalan foi criado nos Estados Unidos, mas desde pequeno tem paixão por cinema. Seu primeiro filme não foi distribuído internacionalmente, logo Olhos Abertos, de 1998, pode ser considerada sua primeira obra. Agora o mundo só voltou seus olhos para ele, de fato em 1999 quando chegou as telas O Sexto Sentido. O filme conseguiu unir um excelente argumento, um roteiro primoroso, grandes atuações, uma direção cuidadosa, gerando um suspense surpreendente, que deu nó na cabeça de muita gente. Mesmo revendo e já sabendo o final, é possível se admirar com a plástica da história e com a forma como as dicas estão ali, sem que a gente perceba.

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O verdadeiro Avatar

O Último Mestre do ArJames Cameron anunciou seu Avatar e criou um problema para a Nickelodeon. Afinal, a produção do filme Avatar, a lenda de Aang já estava encaminhada e começaria a gerar uma confusão imensa. Restou, então, o subtítulo: The Last Airbender, que na tradução original seria "O Último Dobrador de Ar". Entendo, no entanto, que o título no Brasil tenha virado O último mestre do ar, fica mais palpável para o público que não conhece a série. Só discordo da tradução na história para "bender" ter virado controlador. Ficar vendo a legenda se referir a Katara como a "controladora da água" ou Aang ao "controlador de ar", é muito estranho.

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Revendo A Origem (com spoilers)

A OrigemNão sei se todo mundo já viu A Origem. Quem não viu ainda, leia o post anterior e veja o filme antes de ler esse post, porque irei falar da trama. Confesso que após rever o longametragem ainda tenho dúvidas se é o filme do ano, mas acho que fatalmente será. Diante das idéias requentadas e crise criativa que vemos no cinema, cheia de adaptações, continuações e refilmagens, é sempre um bálsamo ver uma idéia original, mesmo que traga dentro dela várias referências. Talvez o ponto que não nos deixa embarcar completamente em A Origem a ponto de dizer "é o melhor filme já visto", seja a falta de emoção. Alguns críticos estão comparando Nolan a Kubrick, porque ambos são racionais ao extremo e demonstram isso em seus filmes. Em ambos os diretores o melodrama passa longe, a construção do roteiro é quase uma fórmula matemática, isso dificulta o envolvimento da platéia com os personagens. Até o amor de Cobb e Mel é racional. Ainda assim, a gente se apaixona pela plástica, pela coerência interna, pelo conjunto da obra. Estamos sim, diante de uma obra de gênio.

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Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo

Curta KinoforumCurtas-Metragens é mais do que a porta de entrada para muitos cineastas, é uma arte especial, com muito charme e possibilidades. O Brasil é um dos países que mais produzem no formato e dá tão pouco espaço para ele no cinema. Por isso, nada nos deixa mais felizes do que a 21ª edição do Curta Kinoforum - Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo - que acontece na capital paulista de 19 a 27 de agosto de 2010. É a maior vitrine do formato no país com mostras nacionais e internacionais, retrospectivas, homenagens e curtas digitais feitos nas periferias das grandes cidades brasileiras.

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Alguns motivos para não se apaixonar

Alguns motivos para não se apaixonarO título do filme do diretor argentino Mariano Mucci é quase uma pegadinha. Afinal, ao contrário da realista 500 dias com ela, ou a inovadora Amelie Poulain, Alguns motivos para não se apaixonar é uma típica comédia romântica nos melhor e piores moldes americanos. Ainda assim, traz o frescor de uma história que poderia acontecer em qualquer lugar, nos envolvendo e, principalmente, brincando com sutilezas e metáforas que tornam a narrativa interessante.

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Pixcodelics e entrevista exclusiva

PixcodelicsFeita em 65 episódios, Pixcodelics (2004-2006) é a primeira série brasileira de animação distribuída mundialmente através de canal fechado. De autoria do baiano Marco Alemar e Caio Andrade, conta a história de Dr. Ping que, em um futuro distante, insatisfeito com a paz mundial, descobre que a internet possibilitou a educação universal e o acesso à informação para todos. Assim, ele decide voltar no tempo e dominar a internet. Dotcom percebe a intenção de Dr. Ping e recruta parceiros, no passado, que vão combater Dr. Ping e seus planos. Oito episódios dessa série foram exibidos no Animaí! 2010, na Sala Alexandre Robatto, nos dias 13 e 14 de agosto (sexta e sábado), às 18 horas, com entrada gratuita. O CinePipocaCult conversou com Marco Alemar sobre a série, o evento e o mercado brasileiro de animação.

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O grilo feliz e os insetos gigantes

O Grilo FelizFinalmente consegui assistir a animação brasileira O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes, graças ao Animaí, porque a exibição do filme aqui na época não foi das mais felizes, apenas em horários  no meio da tarde. Fui lá no Cine Unibanco, sala quase vazia, e ainda com gente saindo no meio do filme. Tristeza essa falta de apoio ao produto nacional. Devo dizer que O Grilo tem pontos positivos que me fizeram sair feliz da sala, mas o roteiro poderia ser melhor trabalhado para envolver o público e fazer o sucesso que produtos como Pixar e Disney fazem com adultos e crianças.

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Grandes Cenas: Amor, Sublime Amor

West Side StoryRomeu e Julieta é a história mais adaptada de todos os tempos, não tenho estatísticas, mas não tenho receio de falar isso. O amor proibido é um argumento universal e Shakespeare soube traduzí-lo de uma maneira ímpar. Assim, transportando Verona para os Estados Unidos. Montéquios e Capuletos para americanos e imigrantes, temos a narrativa de Amor, Sublime Amor. A história proibida de Maria e Tony gerou um clássico dos musicais dos anos 60 com cenas memoráveis.

Escolhi para analisar uma que me marcou desde a primeira vez que vi, pela movimentação em cena e pela música. Em termos cinematográficos não é tão esplêndida. Os enquadramentos e cortes são típicos da época. Abertos, com corte seco de cena a cena. O valor aqui é mesmo o teatral e musical. A coreografia é muito bem construída dramaticamente, reforçando a disputa entre as mulheres e os homens na cena em questão.

Tony e Maria acabaram de ser flagrados por Bernardo, o irmão da moça, dançando de forma íntima. Um conselho de guerra foi marcado para meia noite. Bernardo prendeu Maria em casa, ela não pode se aproximar de Tony, um polaco. Anita, a namorada de Bernardo começa a discutir a atitude insana daquela briga. Dois valores muito fortes estão ali representados. Ela, uma porto riquenha que quer viver na América como uma americana, acha que ali é a terra prometida. Ele, um porto riquenho realista, que já percebeu que imigrante latino não tem as mesmas chances que um americano nato ou europeu. É preciso ser branco para se dar bem na América.

Os grupos, então, se dividem. As mulheres unem sua voz e corpo a Anita, defendendo as maravilhas daquele local enquanto os homens unem-se a Bernardo, falando das dificuldades de ser um imigrante ali. A coreografia é forte, de duelo. Mas, cheia de ironias e brincadeiras. Elas querem viver lá. Eles querem ganhar dinheiro e voltar para Porto Rico.

Reparem na composição de cena. Anita começa a cantar, os casais ainda estão misturados, ouvindo. No refrão, a separação começa. Homens de um lado, mulheres de outro. O ping pong é ágil, divertido, instigante. Tudo bem ensaiado. A cada coisa boa que elas falam que existe na América, eles rebatem mostrando que não está acessível para todos. Os homens sempre ironizando, criam situações mais engraçadas, enquanto as mulheres são mais emotivas. Em um determinado momento, entra o instrumental e os homens fazem um balé hilário ironizando o que seria a política para imigrantes nos Estados Unidos, fingindo estar tudo bem, mas batendo forte. Toda a coreografia é bela, assim como a música, e empolga. Sendo um belo momento de descontração que resume a luta do filme e nos prepara para todo o drama que vem a seguir.

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Hackers - Piratas de Computador

Angelina Jolie1995, a Internet ainda era um esboço no mundo inteiro, era preciso "desenhar" para que o público entendesse. Talvez por isso, o diretor Iain Softley tenha criado aqueles efeitos tridimensionais para simular o passeio dos personagens pelo mundo cibernético em Hackers. A falta de informação era tanta que o título brasileiro veio acrescido do singelo subtítulo: piratas de computador. Ok, não é nenhuma obra-prima, não revolucionou o cinema, assemelha-se mais a uma Sessão da Tarde com vários adolescentes "aprontando muito". Mas, não deixa de ser interessante.

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Quem são os Mercenários?

Os MercenáriosSexta-feira estreia em todo país o filme Os Mercenários de Sylvester Stallone. O filme já deu muito o que falar no país, por ter sido filmado aqui, ter a atriz brasileira Giselle Itiê no elenco e porque ao sair, Stallone fez aquela piada infame com o macaco... De qualquer forma, o longametragem chama a atenção pela idéia original: reunir vários ícones de filmes de ação em uma única história. Apenas Van Damme não aceitou o convite. Estão lá, o próprio Stallone, Jason Statham, Jet Li, Terry Crews, Mickey Rourke, Bruce Willis e governador Arnold Schwarzenegger. Vamos, então, lembrar quem são cada um deles.

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Uma noite em 67

Gilberto GilCresci ouvindo minha mãe falar sobre o Festival da Canção de 67. Fã da MPB, ela desfila a eclosão de boas músicas naquele ano e lamenta que Roda Vida tenha ficado apenas em terceiro lugar. Ela é apaixonada por Chico Buarque. Já eu, não entendia como Alegria, Alegria foi apenas quarto, já que era a música mais conhecida da minha geração. Depois ouvindo com atenção, devo dizer que Ponteio é mesmo a minha favorita. O fato é que não faltou boas canções naquele ano, por isso Renato Terra e Ricardo Calil revolveram resgatar esse momento no documentário Uma noite em 67.

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Mini entrevista com Marcius Melhem

Marcius MelhemE por falar em animação, que essa semana toma conta de Salvador, Meu Malvado Favorito estreou com sucesso no Brasil. Na dublagem da versão brasileira estão os atores Leandro Hassum como Gru e Marcius Melhem como seu arqui-inimigo Vetor. O ator Marcius Melhem respondeu à algumas perguntas que enviei para a produção do filme no Brasil.

Formado em jornalismo pela PUC-RJ, Marcius Melhem é ator, humorista, redator de programas televisivos e autor de peças teatrais. Atualmente está no ar com o programa Os Caras de Pau que faz em parceria com Leandro Hassum. Confiram as respostas dele:

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Começa hoje o Animaí

AnimaíDia dos Pais e Salvador sedia mais um Encontro da Animação Baiana. É o Animaí 2010, que traz, de 08 à 14 de agosto, oficinas, seminários e mostras com diversas animações. Quase todos os eventos são gratuitos. A abertura é hoje, 10hs na Walter da Silveira com a exibição de alguns pilotos do projeto Anima TV, que tem o baiano Miúda e o Guarda Chuva, um dos curtas selecionados para o festival de Annecy, na França. A equipe do filme estará presente para um bate-papo informal com o público.

Os seminários acontecem na Sala Alexandre Robatto de 09 a 12 de agosto, sempre as 18hs. Confiram a programação completa no site da Dimas.

As mostras são separadas por temas:
Mostra Animaí com seis longas-mentragens nacionais precedidos de curtas baianos do gênero. Os filmes serão exibidos no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, de segunda a sábado (9 a 14/8), às 15 horas, com ingressos a R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia-entrada). A lista de filmes da mostra “Animaí!” está disponível no site da Dimas.

Matinê Animada
Voltada para o público infantil, traz diversos curtas com entrada gratuita na Walter da Silveira, sempre as 10hs. Programação no site da Dimas.

Tarde Animada
Voltada ao público infanto-juvenil, traz diversos curtas com entrada gratuita na Walter da Silveira, sempre as 14hs. Programação no site da Dimas.

ANIMATV
Depois de ser atração da abertura do Animaí! 2010, a mostra “AnimaTV” fica em cartaz na Sala Walter da Silveira, sempre às 17 horas, com entrada franca. A mostra exibe os 17 pilotos contemplados pelo edital AnimaTV, do MinC.
Programação no site da Dimas.

O evento possui ainda seis mostras especiais, algumas voltadas para a animação na Bahia, todas gratuitas. Confiram programação completa no site da Dimas.

O encerramento é a base de acarajé. No Espaço Unibanco - Glauber Rocha, os animadores, seminaristas e convidados farão um bate-papo informal para trocar idéias e experiências.

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Especial Dia dos Pais

Segundo o nosso calendário, amanhã é Dia dos Pais. Para mim, pai é pai todo dia, mas já que temos a data vamos relembrar algumas relações marcantes entre pais e filhos no cinema. Não é um ranking, nem tem a pretensão de esgotar o tema. Com certeza vocês vão lembrar de muitos outros. Mas, vamos à lista.

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Meu Malvado Favorito

Meu Malvado FavoritoQuando li que Meu Malvado Favorito tinha passado a bilheteria de Eclipse nos Estados Unidos, fiquei intrigada. Afinal, os fãs da série de Stephenie Meyer dormiram em filas aguardando o lançamento. Além disso, era a primeira investida do estúdio Illumination Entertainment, criado pelo produtor Chris Meledandri nos estúdios da Universal Pictures. O trailer não me parecia grande coisa, mas a divertida animação me conquistou por sua simplicidade.

Gru é um malvado incomodado com o fato de outro vilão ter feito o que a imprensa está chamando de Crime do Século, o roubo de uma das pirâmides do Egito. Ele então, resolve colocar em prática seu plano perfeito de roubar a lua. Para concretizar seu sonho, no entanto, ele precisa da ajuda de três simpáticas órfãs. Margo, Edith e Agnes entram na vida do malvado e transformam o título do filme em português em uma definição perfeita para a história que se desenvolve a partir de então.

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A Origem - primeiras impressões

A OrigemNão sei se é exagero chamar A Origem de o filme do ano, mas com certeza você não vai deixar de se impressionar com o que vai assistir na tela. Cristopher Nolan já havia provado que tinha imaginação suficiente para trazer algo novo em Amnésia e dirigir um filme beirando a perfeição como Cavaleiro das Trevas. Mas, com A Origem ele traz não apenas uma história original, como conceitos e possibilidades novas. A liberdade que o argumento do filme lhe dá, proporciona cenas belíssimas. Acredite. Você não vai ver as duas horas e meia passar. Para completar, ele se fez valer de um elenco de peso: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Tom Berenger, Dileep Rao, Ken Watanabe, Cillian Murphy e Michael Caine estão em uma performance incrível à disposição de um mundo dos sonhos.

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Em Nome do Pai

Daniel Day-LewisForte e arrebatador são os adjetivos para explicar o filme do irlandês Jim Sheridan de 1993. Baseado no livro autobiográfico Proved Innocent, de Gerry Conlon, conta a história de um grupo de irlandeses presos pela polícia inglesa acusados injustamente de terroristas. Sem ser partidário, a co-produção Inglaterra, Irlanda e Estados Unidos, expõe a violência extrema da justiça inglesa contra inocentes em busca de saciar a ira da população.

Gerry Conlon é um rebelde irlandês que não aceita a postura conformista do pai em relação à vida. Sua família teme pelo futuro dessa rebeldia, principalmente pela guerrilha em que vivem Inglaterra e Irlanda. Para afastá-lo das lutas, seus pais o enviam para viver com uma tia inglesa. É quando uma bomba do IRA explode em um pub inglês matando vários jovens. Não apenas Conlon e seus amigos são presos e acusados, como toda a família do rapaz, incluindo seu pai, que passa a ser seu colega de cela.

Em Nome do PaiRevoltado com a injustiça que caiu sob sua família, Gerry Conlon fará de tudo para provar sua inocência e limpar o nome de seu pai. Para isso, conta com a ajuda de uma corajosa advogada, Gareth Peirce, vivida por Emma Thompson. A história é narrada em flashback, o que nesse caso torna tudo mais interessante. Já sabemos da inocência do rapaz e nos revoltamos junto com ele por aquilo tudo. Além disso, Em Nome do Pai é a representação da mudança de relação entre pai e filho. Na cadeia, com seu amadurecimento, Gerry aprende não apenas a amar e respeitar seu pai, aprende a demonstrar todo o orgulho e gratidão por aquele lhe colocou no mundo.

Daniel Day-Lewis e Emma ThompsonEmma Thompson está muito bem como a advogada Peirce. Forte, determinada, justa, expõe ao mundo toda a revolta daquele caso. Pete Postlethwaite dá uma boa carga de emoção a Giuseppe Conlon. Mas, se o filme tem um nome, este é Daniel Day-Lewis. O ator que já havia trabalhado com Sheridan em Meu Pé Esquerdo, outra interpretação fenomenal, consegue trazer toda a angústia interna de um homem injustiçado. Gerry Conlon é o perfeito anti-herói que amamos apesar dos defeitos. E a composição de Day-Lewis é a maior responsável por isso.

Aclamado por todos, o filme só não teve mais prêmios pela infelicidade de ter sido lançado no mesmo ano de A Lista de Schindler. Ainda assim, levou Urso de Ouro em Berlim e melhor filme estrangeiro na Itália - Prêmio David di Donatello. Daniel Day-Lewis foi considerado melhor ator no Prêmio BSFC e Emma Thompson melhor atriz coadjuvante no Prêmio KCFCC. Imparcial, sem sentimentalismo ou panfletagem, Em Nome do Pai é uma lição de cinema e atitude. Daqueles filmes que não envelhecem, se renovam.

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Uma mulher de talento

Julia Roberts é Erin BrockovichMais do que um filme sobre uma mulher de talento, Erin Brockovich dirigido por Steven Soderbergh em 2000 é uma lição de vida, um alerta para o cuidado com o meio ambiente e, o mais importante, baseado em uma história real. O filme que hoje é mais lembrado pelo papel que deu o Oscar a Julia Roberts nos traz um caso de indenização de mais de 600 famílias pela intoxicação por Cromo 6 e nos envolve com a construção da força daquela personagem.

A primeira meia hora do filme é estranha, parece desnecessária. Mas, provavelmente, a roteirista Susannah Grant quis expor o desespero no qual aquela mulher se encontrava. Desquitada, três filhos para criar, desempregada, sofre um acidente e perde a causa que, segundo o advogado, era ganha. Em vez de chorar ou roubar, Erin Brockovich invade o escritório de Ed Masry, vivido por Albert Finney, e exige um emprego. Ela então, acaba se envolvendo com o maior caso de indenização dos Estados Unidos.

Erin Brockovich

A direção de Soderbergh é caprichosa e sensível, ao contrastar sempre o ambiente áspero daquele lugarejo com a vitalidade de Julia Roberts, caracterizada em roupas de chamar a atenção de todos. Ela sabe convencer qualquer um e tirar informações impossíveis, define o advogado. Deixando com seu vizinho as crianças, Erin mergulha de cabeça naquele caso, se envolvendo com cada família a ponto de parecer parte da comunidade. O que seria um simples caso imobiliário se torna uma indenização imensa graças à capacidade investigativa daquela mulher. Mas, mais importante, ela demonstrava às pessoas que realmente se importava com a vida delas. "diga que eu não sou uma advogada", ela brinca.

Erin BrockovichA construção daquela personagem é o que nos encanta, tal qual encantou a cada morador atingido pelo Cromo 6. A substância tóxica é colocada por uma indústria para evitar o enferrujamento das máquinas, o problema é que a aproximação com o lençol de água acabou contaminando todos os moradores locais que tiveram diversos tipos de câncer. O alerta pelo cuidado com o meio ambiente é outro ponto importante do filme, que mostra os estragos nas pessoas, animais e vegetação. Um exemplo para se pensar.

Um bom filme, é como podemos classificar Erin Brockovich. Mas, poderia ser ainda melhor se o roteiro trabalhasse o clímax de forma mais emocionante. Depois da última reunião no escritório de advocacia perde-se o impacto de qualquer resolução. Ali parecia acabar a história. A revelação da sentença fica sem o brilho esperado talvez pela previsibilidade, ainda mais por ser um fato tão conhecido no país. Ainda assim, é envolvente, nos fazendo admirar aquela mulher e torcer pelo final feliz.

Uma curiosidade é que a verdadeira Erin Brockovich aparece em uma ponta no início do filme. Ela é a garçonete que atende Julia Roberts e os filhos em uma lanchonete.

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400 contra 1

400 contra 1Quem me conhece sabe que sou uma das maiores defensoras do cinema nacional. Até de bairrista já fui chamada, o que é uma bobagem, porque defender um filme não é ser extremista, nem deixar de enxergar os defeitos. Por isso, estava com boas expectativas para o primeiro longametragem do publicitário Caco Souza. Mas, a sua intenção de contar o surgimento do Comando Vermelho não deu muito certo.

Ao sair da sessão de Salt, ouvi uma pessoa dizendo que preferia filmes assim do que cinema nacional, pois nele só há violência. Fiquei pensando: Salt não é violento? Na verdade é, mas os americanos aprenderam a fazer da violência um espetáculo. As lutas, as perseguições e as explosões são balés tão bem ensaiados que o espectador abstrai e se diverte. E ainda ganham ajuda dos puritanos tradutores brasileiros que colocam no lugar de xingamentos pesados coisas como "droga" ou "poxa". Assim, ao ouvir um FDP em alto e bom som, os ouvidos estranham e acham que brasileiro xinga muito. De qualquer forma, os blockbusters são apenas filmes, não é vida real. Já a violência no cinema brasileiro é crua, por isso incomoda. É cinema denúncia, não cinema entretenimento. Mas, as vezes, isso cansa.

400 contra 1De qualquer forma, esse não é o caso de 400 contra 1. Fui ao cinema já esperando algo no estilo de Cidade de Deus ou Salve Geral. Poderia até ser algo como Carandiru, que é menos interessante. Mas, antes fosse. O filme de Caco Souza fica no limbo dos gêneros. Ele tenta uma estética irônica ao estilo de Quentin Tarantino, sem chegar a um rascunho do mesmo. Narrativas não-lineares podem não ser mais novidade, mas ainda assim, funcionam muito bem se tiver um motivo para tanto, um fio que os una, mesmo que apenas na cabeça do espectador. O roteiro escrito por Victor Navas com a colaboração de Julio Ludemi, porém, é um ping pong temporal sem sentido. Cenas curtas e soltas passeando de 81 para 73, depois para 77, para 70, voltando a 80, 79 etc. Tudo com legendas estilizadas com uma estética até interessante e costurado por uma narração over de Daniel Oliveira que é mais chata do que funcional, quase repetindo o que vemos na tela.

400 contra 1Ele é Willian da Silva, um dos fundadores do grupo, na época em que estavam presos na Ilha Grande. A aproximação com os presos políticos teria inspirado a formação do crime organizado. Mas, o filme pouco mostra disso. Sendo apenas duas cenas insinuantes que são negadas pelo personagem cômico do grupo. Será que eles não teriam essa mesma atitude independente da convivência com os revolucionários? Até porque eles eram separados por setores e pouco se encontravam. O mais interessante da história é acompanhar o trabalho da personagem de Branca Messina entrevistando os presos e sendo proibida de falar com os presos políticos.

A atuação de todo o elenco é boa, sem muitos destaques para o bem ou para o mal. Chama atenção apenas a caracterização de Daniela Escobar, acima do peso, com cabelo desgrenhado e quase não lembra a atriz global. Bem condizente com o papel. Aliás, o figurino e a direção de arte com a reconstituição da época são o ponto forte do filme. Tudo é muito bem cuidado, com uma fotografia funcional. A trilha sonora também é bastante feliz. Mas nada disso consegue segurar o filme, ou nos fazer envolver com ele. Até a revelação do porquê 400 contra 1 vira um anti-climax. Ainda assim, é um filme a ser conhecido. Dia 06 estreia em todos os cinemas do Brasil.

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Enquanto o Hobbit não vem

The Hunt For GollumO suspense sobre a continuação do projeto O Hobbit no cinema continua, depois da ameaça de saída de Ian McKellen, há um certo silêncio em torno do projeto. Uma pena. A aventura de Bilbo e os anões quando a Terra Média ainda parecia em paz e o anel não passava de um inocente artefato mágico é interessante o suficiente para atrair adultos e crianças. Passeando pela net em busca de notícias acabei me deparando com um projeto independente e fiquei impressionada com o resultado. Produzido por fãs de Tolkien, The Hunt for Gollum é o FanFiction mais bem trabalhado e ousado que já conheci. A produção é de 2007, cinema independente on line, é como eles se auto-denominam, e realmente impressiona pela qualidade. A história narra os doze anos em que Gandalf deixou Frodo tomando conta do anel e foi junto a outros integrantes da futura sociedade caçar Gollum por toda a Terra Média para que este não fosse pego por Sauron. Quem só viu o filme não vai nem entender esse período que ficou em aberto, lendo o livro temos uma noção melhor do hiato deixado por Tolkien que deu margem a essa bela obra. Talvez fosse melhor a MGM contratar esse grupo para fazer o Hobbit. #fikdik.

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