Brasil Animado
Mariana Caltabiano merece todos os aplausos pela coragem de um projeto tão ousado e fico triste ao ver que poucos estão prestigiando essa iniciativa. Fazer cinema no Brasil já é complicado, imagine, então, cinema com projeção em 3D? Tudo bem que alguns vão estranhar não ver nada saltando na tela e podem até se perguntar se é 3D mesmo. Mas, aí basta tirar o óculos para ver que vai estar tudo embaçado, ou então, prestar atenção na profundidade de tela. Principalmente nas cenas de imagens reais. A projeção em 3D está lá, melhor do que muito filme americano que apenas fez a transição após a filmagem para pegar carona na onda.
O roteiro, assinado pela própria diretora junto a Eduardo Jardim, é didático ao extremo, é verdade, mas tem um humor sutil com várias referências interessantes. O problema é a insistência em explicá-las depois. Como no caso da música "Garota de Ipanema" que é citada e logo depois abre uma explicação sobre Vinícius e Tom. Ou a piscina de moedas do tio Patinhas que aparece na sequência mandando processar o filme. Entendo que a preocupação do longametragem é explicar um pouco do nosso país. Mas, para quem vai ao cinema, esse excesso pode ficar enfadonho, mesmo que os "professores" sejam duas criaturas tão peculiares.
Stress e Relax são dois amigos com objetivos bem diferentes. O primeiro é um empresário totalmente estressado, o nome não nega, que só pensa em lucrar cada vez mais. O segundo é um diretor de cinema bem relaxado que quer convencê-lo a investir em seus projetos. A idéia da vez é encontrar o grande Jequitibá Rosa, possivelmente a árvore mais antiga do Brasil. Stress vê nessa busca uma oportunidade de ganhar dinheiro e os dois saem a procura da tal raridade. Cada local que passam torna-se um passeio turístico misturado à aulas de história e geografia. É um projeto perfeito para ensinar não apenas aos pequenos, mas aos espectadores em geral um pouco desse nosso rico país.

Claro que é apenas uma amostra grátis já que eles só passam por Rio de Janeiro, Salvador, Porto Seguro, Foz do Iguaçu, Porto de Galinhas, Olinda, Ouro Preto, Tiradentes, Diamantina, Fortaleza, Canoa Quebrada, Jericoacoara, Gramado, Caxias do Sul, São Paulo, Amazônia, Brasília e Florianópolis (fonte). Ainda assim, é um belo passeio, diversificado, que traz algumas curiosidades. Só o fato de passear pelas regiões do Brasil, saindo do eixo Rio / São Paulo já é um avanço. As "participações especiais" também são ótimas, como Guga na praia de Floripa ou Fernando Meireles em Gramado.
A mistura de desenho com imagens reais poderia ser mais profunda, é verdade, mas a junção fica interessante, mesmo que raramente se unam totalmente na tela. A maior parte da projeção elas ficam se intercalando, mas o cuidado em desenhar um cenário quase igual ao real é bem observado. Um detalhe do desenho que pode estar fazendo o público estranhar o 3D aplicado é que a arte é em 2D. A profundidade gerada pelo 3D, então, faz parecer que estamos vendo uma maquete de papel. Eu achei divertido esse detalhe. Principalmente quando eles enquadram em um ângulo geral. A verdade é que Brasil Animado é um filme muito bem realizado, porém para um público muito específico. Acredito que fará bastante sucesso nas escolas. Mariana Caltabiano já tem uma experiência vasta com o público infantil e sabe exatamente o que estava fazendo ao criar esse longametragem. Repito que merece todas as palmas pela iniciativa. Pioneirismo também conta nessa arte tão fascinante. Prestigiem, divulguem, ajudem. O cinema nacional precisa de ações assim.




Escrevo esse post motivada por um comentário que vi em meus passeios pela internet onde alguém dizia que documentário não é filme. Achei algo tão inusitado que resolvi falar um pouco sobre documentários. Na verdade, o cinema nasceu documental. Quando Thomas Edison criou o cinetógrafo e logo depois o cinetoscópio, ele usou pessoas em seu estúdio para fazer movimentos simples, apenas para mostrar o novo invento que captava imagem em movimento. Não havia história, nem muito contexto. Quando os irmãos Lumière, inspirados em Edison, criaram o cinematógrafo, as coisas não mudaram muito, só saíram dos estúdios. O aparelho era mais leve, capaz de ser levado pelas ruas e funcionava também como projetor. Os que eles fizeram então, foram captar coisas cotidianas, com um cuidado um pouco maior que Edison em mostrar um começo, meio e fim. Era o trem chegando na estação, a saída da fábrica, ou o café em família. Então, era uma espécie de documentário, mas não existia ainda esse tipo de definição.
Não é novidade que adoro animação. E a PlayArte traz essa semana para os cinemas uma animação belga encantadora dirigida por Ben Stassen, sobre a vida de uma tartaruga verde. Os detalhes técnicos são excelentes. Primorosos em alguns momentos. A projeção em 3D é uma das melhores que eu já vi, completamente harmônica à história. Os passeios no fundo do mar são um bálsamo para nossos olhos. Há momentos em que nos sentimos no fundo do oceano. É daqueles filmes obrigatórios para quem gosta do gênero. E esse eu falo que vale um ingresso mais caro para conferir a cópia em 3D.
A semana foi marcada pelo anúncio dos indicados ao Oscar. Por mais que tenha apresentado uma lista equilibrada, a academia continua causando alguns assombros como a não indicação de Christopher Nolan a melhor diretor, após o sucesso de A Origem. De qualquer forma, em 27 de fevereiro ficaremos conhecendo os melhores, segundo Hollywood. Por aqui, pouca coisa muda, fica apenas a torcida pelo documentário Lixo Extraordinário, que tem como um dos autores o brasileiro João Jardim. Agora, vamos conferir as dicas de Guy Ferreira desta semana. 



Anne Hathaway é uma atriz carismática, não há dúvidas. Tirando a interpretação um pouco over da Rainha Branca em 
E saiu a nem mais tão esperada lista do Oscar. A celebração máxima da indústria norte-americana já teve dias mais felizes, mais festejados e mais glamourosos. A 83ª edição do prêmio anuncia seus indicados com a imagem um pouco desgastada, vários prêmios já dados como certos e algumas poucas surpresas. O cinema norte-americano tem sofrido há algum tempo de falta de criatividade. Críticos mais ferrenhos afirmam que, na verdade, ele morreu na década de 50. Alguns dizem que desde Cidadão Kane nada de novo foi realmente apresentado. O fato é que há muito tempo os grandes lançamentos são remakes (seja de clássicos próprios antigos ou bons filmes recentes do resto do mundo), adaptações (de quadrinhos, livros ou televisão) e continuações. Foi por isso que o filme 
Enfim conferi o terceiro filme da Saga Crepúsculo. E a boa impressão que Lua Nova tinha me deixado caiu por terra. Não que a produção seja ruim. Está bem feita, com ótimos efeitos especiais e uma direção de arte caprichada. Mas, a história é algo tão sem sentido que não consigo entender a febre que causa. Tudo bem que não li os livros, e o roteiro pode ter deturpado algo, mas Eclipse me parece sem nenhuma utilidade. Tudo soa como enrolação para ter mais um filme / livro antes do episódio final: Amanhecer. Atenção, vou citar alguns detalhes que podem ser considerados spoilers. Mas, não tinha como explicar o que achei de inútil nesse longametragem sem citá-los. Então, se você não viu e não gosta de saber nada antes, melhor deixar para depois este texto.
Continuo dizendo que não acho um filme ruim. É bem realizado apesar da pouca inspiração de Fábio Barreto que não chega a ser tão bom diretor quanto seu irmão. Só achei que o momento do lançamento foi infeliz. Uma estratégia política para ajudar nas eleições, não tinha nada a ver com cinema. Assim como também não tiveram a maioria das manifestações contrárias ao filme. As pessoas já foram assistir predispostas a não gostar. Só se fosse uma obra-prima para dar o braço a torcer. E de fato, isso, o longametragem está longe de ser. Não é porque Fábio Barreto já foi indicado ao Oscar uma vez que ele é consagrado um bom diretor.
O que nos deixa tristes é que 2010 foi um grande ano para o cinema brasileiro, onde vários filmes de grande qualidade vieram a tela. Fiz até um
"Vossos filhos não são vossos filhos.
Em 1997, dois jovens chamaram a atenção de Hollywood. Amigos de infância, Ben Affleck e Matt Damon escreveram e protagonizaram o filme Gênio Indomável. Interessante que o oscar de melhor roteiro original, não inspirou novas histórias, mas a dupla ainda trabalharia junta em Dogma. Cada um seguiu seu caminho, Matt Damon com papéis cada vez mais densos e Ben Affleck com galã e estereótipos cada vez mais cansativos. Parece que agora, ele conseguiu encontrar uma função que o destaque mais: a direção. Se "Medo da Verdade" já tinha sido um bom começo, ele parece evoluir a cada trabalho. Atração Perigosa pode não ser uma obra-prima, mas é um excelente filme de ação. Repleto de cenas bem decupadas, envolventes e na dose certa.
Concorrente a melhor filme de comédia ou musical no Globo de Ouro, O Turista é exatamente isso, uma grande piada. Não que o filme seja ruim, mas também não é bom. É mais uma tentativa de filme de ação com comédia, mas que fica a sensação de "muito barulho por nada". Principalmente pela propaganda em cima da dupla de protagonistas "pela primeira vez juntos". Não resta dúvidas de que Johnny Depp e Angelina Jolie são grandes estrelas e excelentes atores. Até por isso, exigimos um pouco mais deles. Assim como do diretor Florian Henckel von Donnersmarck, após o belo 
Domingo, Robert De Niro ganhou o prêmio Cecil B. DeMille e em seu discurso de agradecimento brincou que só levou o prêmio porque o jurado não teve tempo de fazer a crítica de "Entrando em uma fria maior ainda com a família". Estamos diante de uma trilogia besteirol, onde o primeiro filme foi um grande sarro, mas que já começou a se esgotar em sua continuação, mesmo com o elenco reforçado por Dustin Hoffman e Barbra Streisand. Quando soube que teria um terceiro, agora tamanho família, esperei uma grande bomba. Não chega a ser. Esse é daqueles em que o trailer é pior que o filme. É uma comédia até bem realizada, com momentos divertidos, alguns pouco inspirados, mas que diverte a família. Uma sessão da tarde sem muito compromisso.
Qual o melhor vinho do mundo? O mais interessante desse filme é a história real da quebra de tradições milenares. O Vale do Loire pode ser lendário em seu cultivo de vinho, mas em uma competição às cegas, foi o vinho feito no Canadá que sagrou-se vencedor. O que prova que nada é tão determinante nesse mundo. Estrelado por Alan Rickman, o filme é um divertido retrato de como persistência e talento podem superar a tradição. Dirigido por Randall Miller,
O Pequeno Nicolau é uma celebração à infância. Leve, divertido, feito sobre medida para o público infanto-juvenil, que agrada também aos adultos. Não é fácil traduzir a cabeça de uma criança e Tirard consegue fazer muito bem isso em uma história hilária sobre o medo de ser abandonado pelos pais. Talvez vocês achem os pais de Nicolau meio tresloucados, mas lembre-se de que eles estão apenas representados da forma como o garoto vê o mundo. É daquelas histórias simples, divertidas e muito bem realizadas.
Finalmente Desenrola estreou. Para quem não lembra, fiz um post sobre o filme em
Não podemos dizer que seja modismo recente, já que a morte sempre instigou o ser humano e o cinema já criou milhares de histórias sobre fenômenos do além-túmulo. Mas, A morte e a vida de Charlie é mais um na linha recente de filmes espiritualistas explorando a comunicação entre os dois mundos. O filme tem direção de Burr Steers, com roteiro de Craig Pearce e Lewis Colick, baseados no livro de Ben Sherwood, "
É muito difícil um trailer enganar a gente. Ainda mais hoje em dia que eles contam praticamente a história toda. Então, se você conhece o trabalho de Jack Black e viu o trailer de
Há filmes que são pura curtição. A estreia na direção de Drew Barrymore parece uma grande farra com as amigas. Tá certo que uma farra meio violenta, mas ainda assim uma farra. Não é para se levar muito a sério mulheres patinando em círculos e batendo umas nas outras. E o mais incrível é que, sim, o "roller derby" existe e é uma sensação nos Estados Unidos. Uma espécie de terapia da porrada. As esportistas normalmente pagam para competir e sustentar as ligas desse esporte estranho. Por essa óptica, não deixa de ser interessante um filme chamar a atenção para essa modalidade.
O filme de Sylvia Chang, único filme chinês selecionado para o Festival de Berlim de 2004 é um panorama da mulher moderna. Três mulheres, três faixas etárias diferentes e a mesma questão: a busca pela felicidade. Claro que o amor passa por elas e todas estão confusas em relação a ele. Xiao Jie é uma garota que sonha em ser cantora e acaba descobrindo uma experiência incrível em Taipei. Xiang Xiang é uma aeromoça que não consegue se prender a um homem, assim como os vê se tornando maridos de outras. E Lily descobre que seu marido tem outra família, pede o divórcio e tenta refazer sua vida, aproveitando experiências que antes não se permitia.
Já falei desse filme em vários momentos no blog esse ano, mas ainda não tinha apresentado a crítica. Na verdade, o que mais chamou a minha atenção nesse projeto foi a forma como ele foi realizado. Há 50 anos, um filme foi feito pela visão de cinco diretores da classe média tendo como tema as favelas do Rio de Janeiro. Era uma proposta interessante, mas sua autenticidade parecia comprometida pela inevitável visão de fora. Em 2010, um desses diretores, Cacá Diegues teve uma idéia: por que não deixar que os próprios moradores das comunidades contassem suas histórias? O projeto começou com oficinas técnicas ministradas à 229 jovens dos quais 84 foram
No post de sexta-feira, reclamei de terem escolhido Luciano Huck para dublar Flynn Rider em Enrolados. Queria deixar claro que não tenho nada contra o apresentador da Rede Globo. Acho até seu programa interessante. "Bem feitinho", como ele brincou com o CQC. O problema é que existem tantos bons dubladores no Brasil que não dá para entender o porquê de escolherem famosos como se isso fosse atrair público. O mais importante é funcionar na história.
Ano passado, sim 2010 já é passado, John Lennon completaria 70 anos se estivesse vivo. Nada mais normal, então, do que filmes sobre o mais polêmico dos Beatles que já chegou a se dizer mais conhecido que Jesus Cristo. O documentário John Lennon vs USA teve pouca repercussão por aqui, mas O garoto de Liverpool ainda está com boas bilheterias. Baseado no livro “Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon”, escrito por sua meia irmã Julia Baird, o filme dirigido por Sam Taylor Wood com roteiro de Matt Greenhalgh fala de uma época em que John era apenas um garoto de lugar nenhum, como diz o título original.
“Eu produzo o que eu gosto — histórias emocionantes e humanas sobre personagens e eventos históricos, e sobre animais. Se existe algum segredo, creio que seja nunca fazer filmes infantilizados demais, e eu sempre procuro incluir pequenas sátiras acerca das fraquezas dos adultos.” - Walt Disney
Clint Eastwood me conquistou aos poucos. Ele sabe como construir um filme que emociona e, agora, parece ter escolhido Matt Damon como seu principal cúmplice. A trama do novo filme da dupla é interessante, a direção tem o toque do grande cineasta e a atuação, não apenas de Matt como de todos os demais atores, é muito boa. Só o roteiro de Peter Morgan deixa um pouco a desejar, não fazendo deste uma obra perfeita, por mais interessante e perturbador que seja em alguns momentos. Um pouco meloso em sua conclusão, talvez. Ainda assim, é um belo drama.































